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Pai sentado numa sala de espera segura as mãos da filha pequena; na cadeira ao lado, uma Bíblia aberta.
Comunicação e relacionamentos

Marcos 9:14–29

Quando o filho precisa de mais ajuda do que sabemos dar

Marcos, capítulo nove, versículos catorze a vinte e nove, mostra um pai que procura ajuda para o filho que sofre desde a infância e pede socorro até para a própria fé

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Existe um momento, na vida de muitos pais, em que o cuidado de sempre já não basta. O filho tem crises de choro ou de raiva que ninguém entende. Não consegue ficar parado, não consegue prestar atenção, esquece, se perde, se machuca ou machuca os outros. Os professores reclamam, os parentes opinam, e o pai e a mãe se perguntam onde erraram. Se você vive isso, queremos dizer antes de tudo: você não está só, e isso não é culpa sua.

A Palavra de Deus

Marcos, capítulo nove, versículo vinte e quatro, em paráfrase editorial:

Eu creio. Ajuda a minha falta de fé.

Marcos 9:24 · paráfrase editorial

Quem diz essas palavras é um pai, com lágrimas, no meio de uma multidão. Não é uma oração bonita. É a oração de alguém que chegou ao limite e foi honesto.

O pai e o filho

O relato está no evangelho de Marcos. Jesus voltava de um monte com três discípulos e encontrou os outros discípulos cercados por uma grande multidão. Alguns mestres da lei discutiam com eles. Quando o povo viu Jesus, correu a saudá-lo. Ele perguntou sobre o que discutiam.

Um homem saiu da multidão e respondeu. Disse que havia trazido o filho, que sofria de um mal que o emudecia. Contou que, onde quer que aquilo o pegasse, o jogava no chão, o menino espumava, rangia os dentes e ia definhando. E que havia pedido aos discípulos de Jesus que o ajudassem, mas eles não conseguiram.

Jesus pediu que lhe trouxessem o menino. E, quando o menino chegou, a crise veio: ele caiu no chão, se contorcendo e espumando. Jesus perguntou ao pai há quanto tempo aquilo acontecia. O pai respondeu: desde a infância. E contou o que mais pesava: muitas vezes, aquilo o jogou no fogo e na água, para destruí-lo.

Imagine o que esse pai carregava. Anos de medo, de vigília, de olhar atento, de correr atrás, de explicar aos outros, de sentir que nada resolvia. O texto não descreve o cansaço dele, mas o pedido dá a medida. Ele disse a Jesus: se o senhor pode fazer alguma coisa, tenha compaixão de nós e nos ajude.

Repare no plural: de nós. Ele pedia ajuda para o filho e para si mesmo. A dor era da família inteira.

Jesus respondeu que tudo é possível a quem crê. E foi aí que o pai, com lágrimas, disse a frase que atravessa os séculos: eu creio, ajuda a minha falta de fé. Ele não escondeu a dúvida. Colocou a esperança e o cansaço lado a lado, diante de Jesus.

Vendo que a multidão se aglomerava, Jesus ordenou que o mal saísse do menino. A criança foi sacudida com violência e ficou como morta, e muitos disseram que havia morrido. Mas Jesus a tomou pela mão, a ergueu, e ela se levantou. Mais tarde, em casa, os discípulos perguntaram em particular por que não conseguiram ajudar, e Jesus respondeu que aquele caso exigia oração.

Repare em três detalhes. O pai levou o filho a quem podia ajudar, mesmo depois da primeira tentativa não ter funcionado. Ele foi honesto sobre a sua dúvida e o seu cansaço. E Jesus não o repreendeu: tomou o menino pela mão.

O texto descreve o que o pai viu, e não faz diagnóstico. Não cabe a nós, hoje, dizer que condição era essa, nem equipará-la a algo que conhecemos agora. O que o relato revela é o coração de um pai.

A história trata de Jesus, de um menino e do poder de Deus sobre o mal. Relacioná-la ao cuidado de filhos com necessidades especiais, hoje, é uma aplicação para a nossa vida, não o assunto original do relato.

Compreendendo o ensinamento

Muitos pais de hoje se reconhecem nesse pai. Crianças e adolescentes com TDAH, transtorno do espectro autista, ansiedade, depressão, dificuldades de aprendizagem ou crises de agressividade exigem de pais e mães uma atenção que ninguém ensina. Cada família descobre, na prática, o que fazer.

O TDAH, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, é uma condição do neurodesenvolvimento. Não é falta de educação nem culpa dos pais. Pode se manifestar com desatenção, agitação, impulsividade e dificuldade de organização, e costuma trazer conflitos na escola e em casa. O diagnóstico é feito por profissionais de saúde, como pediatra, neuropediatra, psiquiatra infantil ou psicólogo, depois de avaliação cuidadosa. O tratamento costuma envolver orientação aos pais, estratégias na escola, acompanhamento psicológico e, quando o médico indica, medicação. Rotinas claras, previsibilidade e elogio específico também ajudam muito.

Há também crises de raiva, birras que passam do limite e agressividade. Em certas fases, são parte do desenvolvimento. Quando são intensas, frequentes ou machucam o próprio filho e outras pessoas, vale buscar avaliação profissional, para entender a causa e aprender a lidar.

O peso emocional dos pais é grande: culpa, vergonha, julgamento dos outros, cansaço, brigas de casal, isolamento. Muitos deixam de sair e de pedir ajuda porque sentem que ninguém entende. É exatamente nessa hora que mais se precisa de apoio.

Em Salmos, capítulo cento e três, versículo treze, o salmista diz, em paráfrase editorial, que, assim como um pai se compadece dos filhos, o Senhor se compadece dos que o temem. Se Deus se compadece como um pai, ele também se compadece de você, que cuida.

E em Isaías, capítulo quarenta, versículo onze, lemos, em paráfrase editorial, que o Senhor cuida do seu rebanho como um pastor, recolhe os cordeirinhos nos braços e os leva junto ao peito, guiando com suavidade quem acabou de ter filhotes. Há cuidado para os pequenos e para os pais.

Esses textos não prometem que as dificuldades vão desaparecer, nem substituem o cuidado médico e psicológico. Mostram que Deus se compadece e que procurar ajuda faz parte do cuidado. Orar e procurar um profissional não competem. Caminham juntos.

Se o seu filho fala em se machucar ou em morrer, ou se há risco imediato, procure ajuda agora. O Centro de Valorização da Vida atende pelo cento e oitenta e oito, e em emergências você pode ligar para o cento e noventa e dois, o Samu, ou procurar o pronto-atendimento mais próximo.

Quando o filho precisa de mais ajuda

Comece observando e anotando. Escreva o que você percebe: quando as crises acontecem, o que as antecede, como é na escola, no sono, na alimentação. Essas anotações ajudam muito na primeira consulta.

Depois, procure ajuda profissional, sem esperar o pior. Comece pelo pediatra ou pelo posto de saúde, e peça encaminhamento. Converse com a escola, que costuma observar o que se passa e pode adaptar o trabalho. Se a primeira ajuda não resolver, procure outra, como o pai do relato, que não desistiu. E cuide de você: durma, peça apoio ao seu companheiro ou companheira, a amigos e a grupos de pais. Cuidar de quem cuida faz parte do tratamento. Comemore pequenas conquistas e evite comparar o seu filho com os outros.

Perguntas para refletir

O que eu venho observando no meu filho e ainda não levei a um profissional? Quem pode me ajudar nesse caminho? Como estou cuidando de mim? Que pequena conquista dele eu posso comemorar hoje?

Um passo para hoje

Anote, em uma folha, o que você observa no seu filho: o que acontece, quando e com que frequência. Escolha um profissional ou serviço de saúde e marque uma conversa. Depois, escolha uma pessoa de confiança e conte o que você está vivendo. Leve tudo a Deus, em oração.

Momento de oração

Faça uma pausa diante de Deus. Pense no seu filho e perceba o que você sente: cansaço, medo, culpa, amor. Respire fundo e solte o ar devagar. Diga a Deus, sem filtro, a mesma frase daquele pai: eu creio, ajuda a minha falta de fé. Fique alguns instantes em silêncio.

Você pode falar com Deus com suas próprias palavras. Se desejar, use esta oração como sugestão:

Senhor, eu amo o meu filho e já não sei como ajudá-lo, e o cansaço pesa. Tu conheces cada crise, cada noite sem dormir e cada olhar de julgamento que eu enfrentei. Hoje eu não vou fingir que dou conta de tudo.

Eu creio, ajuda a minha falta de fé. Compadece-te de nós, como um pai se compadece dos filhos. Mostra-me a quem procurar, dá-me paciência para persistir e coragem para pedir ajuda. Cuida do meu filho, recolhe-o nos teus braços e guia também a mim, com suavidade. Agradeço-te porque tu não nos deixas sozinhos. Amém.

Continue sua jornada

Leia Marcos, capítulo nove, versículos catorze a vinte e nove, na íntegra. Depois, leia Salmos, capítulo cento e três, versículos oito a catorze, e Isaías, capítulo quarenta, versículos dez a onze, para ver como a Bíblia fala da compaixão de Deus.

Sobre as citações bíblicas: as passagens citadas foram apresentadas em paráfrase editorial, conferida quanto ao sentido com edições de Almeida (Marcos 9, Salmos 103, Isaías 40). O relato bíblico foi recontado em palavras próprias; o que o texto imagina ou interpreta está sinalizado ao longo da reflexão.

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