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Casal de pais na calçada, à noite, vê um ônibus partir pela estrada; no banco ao lado, uma Bíblia aberta.
Comunicação e relacionamentos

Gênesis 28:10–22

Quando o filho vai e não podemos ir junto

Gênesis, capítulo vinte e oito, versículos dez a vinte e dois, mostra um jovem que sai de casa sozinho, dorme com uma pedra por travesseiro e ouve uma promessa de companhia

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7 min de leitura

Há um momento em que o filho vai para um lugar aonde a gente não pode ir. Outra cidade, outro país, um emprego longe, uma faculdade distante. A gente ajuda com a mala, dá o último conselho, abraça e vê o ônibus ou o avião partir. E, nas primeiras noites, a pergunta volta: ele está bem? Está seguro? Está comendo? Está sozinho?

A Palavra de Deus

Gênesis, capítulo vinte e oito, versículo quinze, em paráfrase editorial:

Eu estou com você e o guardarei por onde você for.

Gênesis 28:15 · paráfrase editorial

Quem diz essas palavras é Deus, a um jovem que dorme no chão, longe de casa. A promessa é de presença, em um lugar onde nenhum pai e nenhuma mãe podem estar.

Jacó em Betel

O relato está no livro de Gênesis. Jacó saía de casa, em direção a Harã, a terra dos parentes de sua mãe. A saída não foi tranquila: ele partia em meio a um conflito familiar, que o texto anterior conta. Mas, nessa passagem, o que vemos é um jovem sozinho no caminho.

Ao anoitecer, chegou a um lugar e ali passou a noite. Pegou uma das pedras do lugar, usou-a como travesseiro e se deitou para dormir. Imagine essa cena: longe de casa, sem a cama, sem o conforto, sem ninguém. Uma pedra por travesseiro.

Então sonhou. Viu uma escada apoiada na terra, com o topo alcançando o céu, e anjos de Deus subindo e descendo por ela. E o Senhor estava ali e lhe falou. Disse que era o Deus de Abraão e de Isaque. Prometeu dar a Jacó a terra em que ele dormia e uma descendência numerosa. E disse: eu estou com você, vou guardá-lo por onde você for e o farei voltar a esta terra.

Quando Jacó acordou, disse: na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não sabia. Teve medo e disse que aquele era a casa de Deus e a porta do céu.

Na manhã seguinte, Jacó pegou a pedra que usara como travesseiro, ergueu-a como uma coluna e derramou azeite sobre ela. Chamou o lugar de Betel, casa de Deus.

E fez um voto. Disse: se Deus estiver comigo, me guardar nesta viagem, me der pão para comer e roupa para vestir, e se eu voltar em paz à casa do meu pai, então o Senhor será o meu Deus.

Repare em três detalhes. Deus se aproximou de Jacó quando ele estava sozinho e em um lugar desconhecido. A promessa foi de companhia e de cuidado, e incluiu a volta. E a fé de Jacó, naquele momento, era ainda incipiente, cheia de condições. Deus não esperou que ela estivesse madura para se aproximar.

A história trata de Jacó, da promessa de Deus à família de Abraão e do lugar chamado Betel. Relacioná-la à saída dos filhos de casa é uma aplicação para a nossa vida, não o assunto original do relato.

Compreendendo o ensinamento

O relato ajuda os pais a lembrar de algo que a distância torna mais forte: há lugares aonde não podemos ir, mas Deus está lá. O texto diz que o Senhor estava naquele lugar, e que Jacó não sabia.

Para muitos pais de hoje, a saída dos filhos traz preocupações específicas. Filhos que moram em outra cidade ou em outro país, com a segurança, a saúde, as amizades, os gastos e a solidão. O medo de que passem mal e ninguém saiba. A dificuldade de acompanhar a vida deles, sem poder ver de perto. A vontade de controlar pelo celular, pela localização, pelo cartão. E o receio de que a saudade ou a solidão cause tristeza profunda.

Há coisas que os pais podem fazer, e coisas que não podem. Podem combinar uma forma de contato, conversar sobre os riscos, ajudar a construir uma rede de apoio no lugar novo, como colegas, vizinhos, uma comunidade, e deixar claro que podem voltar sem vergonha se precisarem. Não podem estar em todos os lugares, nem viver a vida do filho por ele.

Em Salmos, capítulo cento e vinte e um, versículos sete e oito, o salmista diz, em paráfrase editorial, que o Senhor guardará de todo o mal e guardará a entrada e a saída, desde agora e para sempre. A entrada e a saída são as idas e vindas de cada dia.

E em Deuteronômio, capítulo trinta e um, versículo oito, Moisés diz ao povo, em paráfrase editorial, que o Senhor vai adiante, estará com ele, não o deixará nem o desamparará, e que não deve temer. É uma palavra de ânimo para quem parte, e para quem fica.

Esses textos não prometem que nada de ruim vai acontecer, nem substituem os cuidados práticos. Mostram que a presença de Deus acompanha quem parte e quem fica, e que podemos entregar o que não controlamos.

Se o seu filho vive longe e você percebe que ele está mal, com sinais de tristeza profunda ou de isolamento, converse, incentive a procura de apoio profissional no lugar onde ele está e diga que a porta de casa está aberta. Se a sua preocupação com ele está tirando o seu sono ou a sua paz, procure também cuidar de si, com um psicólogo ou com um grupo de apoio.

Quando o filho vai e não podemos ir junto

Comece combinando o essencial: como vocês vão se falar, o que fazer em caso de emergência, quem pode ajudá-lo no lugar novo. Ajude-o a fazer uma lista de contatos úteis, como serviços de saúde, uma pessoa de confiança, um lugar para se apoiar.

Depois, entregue a Deus o que você não controla. Reze por ele, com os seus próprios termos, como Jacó disse a Deus os seus. Evite ligar a toda hora e usar a localização para vigiar. Mande mensagens que não cobrem. Faça visitas quando possível. E diga: se precisar, pode voltar, sem vergonha. Cuide do seu sono, da sua rotina e do seu casamento ou das suas amizades. Quem fica também precisa de companhia.

Perguntas para refletir

O que mais me preocupa na distância do meu filho? O que eu posso combinar com ele que ajude nós dois? O que eu preciso entregar a Deus, porque não depende de mim? Como eu posso cuidar de mim nesta fase?

Um passo para hoje

Escreva em um papel o que mais lhe preocupa e separe em duas colunas: o que eu posso fazer e o que eu preciso entregar. Combine com o seu filho um canal e um horário para se falarem. E diga em voz alta, em oração, a promessa de Deus: eu estou com você, por onde você for.

Momento de oração

Faça uma pausa diante de Deus. Pense no seu filho no lugar onde ele está, ou para onde vai. Perceba o que você sente: medo, saudade, impotência. Respire fundo e solte o ar devagar. Imagine Deus presente nesse lugar, onde você não pode estar. Fique alguns instantes em silêncio.

Você pode falar com Deus com suas próprias palavras. Se desejar, use esta oração como sugestão:

Senhor, o meu filho está longe, e eu não posso ir junto. Tu conheces o lugar em que ele está, o que ele vive e o que eu temo. Hoje eu entrego a ti o que não posso controlar.

Guarda a entrada e a saída dele, de dia e de noite. Põe ao seu lado pessoas de confiança. Livra-o do mal e dá-lhe coragem e saúde. Ensina-me a amar sem controlar, a esperar com paz e a cuidar de mim. Mostra-lhe que tu estás nesse lugar, mesmo que ele não perceba. Agradeço-te porque tu vais adiante dele. Amém.

Continue sua jornada

Leia Gênesis, capítulo vinte e oito, versículos dez a vinte e dois, na íntegra. Depois, leia Salmos, capítulo cento e vinte e um, e Deuteronômio, capítulo trinta e um, versículos seis a oito, para ver como a Bíblia fala da companhia de Deus no caminho.

Sobre as citações bíblicas: as passagens citadas foram apresentadas em paráfrase editorial, conferida quanto ao sentido com edições de Almeida (Gênesis 28, Salmos 121, Deuteronômio 31). O relato bíblico foi recontado em palavras próprias; o que o texto imagina ou interpreta está sinalizado ao longo da reflexão.

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