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Mãe abraça a filha sentada na escada de casa, com a mochila ao lado e uma Bíblia aberta no degrau.
Comunicação e relacionamentos

Gênesis 37

Quando os filhos se machucam entre si

Gênesis, capítulo trinta e sete, versículos três e quatro e doze a vinte e oito, mostra um jovem odiado pelos irmãos, jogado numa cova e vendido, e um pai que não viu o tamanho do que acontecia

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7 min de leitura

Poucas dores de pai e mãe são tão difíceis quanto ver um filho machucar outro, ou ser machucado. A briga que passou do limite, o apelido que virou perseguição, o grupo que exclui, a mensagem que humilha na frente de todo mundo. Às vezes acontece dentro de casa, entre irmãos. Às vezes na escola ou na internet. E muitos pais só descobrem quando o estrago já está feito.

A Palavra de Deus

Gênesis, capítulo trinta e sete, versículos três e quatro, em paráfrase editorial:

Israel amava José mais do que a todos os outros filhos. Seus irmãos o odiavam e não conseguiam falar com ele em paz.

Gênesis 37:3–4 · paráfrase editorial

O texto não esconde o problema. Nomeia a preferência do pai e o ódio dos irmãos. E mostra o que pode acontecer quando ninguém trata disso a tempo.

José e os irmãos

O relato está no livro de Gênesis. Israel, também chamado Jacó, tinha muitos filhos. José era o filho da sua velhice, e o pai o amava mais do que a todos os outros. Para mostrar isso, deu a José uma túnica de várias cores.

Os irmãos perceberam. E o texto diz que passaram a odiá-lo e já não conseguiam falar com ele de modo pacífico.

Algum tempo depois, os irmãos foram apascentar o rebanho perto de Siquém. Israel chamou José e o mandou ver como eles estavam. José obedeceu. Foi, e, ao chegar, não os encontrou. Perdido no campo, ouviu de um homem que os irmãos tinham ido para Dotã, e seguiu para lá.

Os irmãos o viram de longe, antes que ele chegasse. E combinaram entre si: vamos matá-lo e dizer que um animal o devorou. Rúben, o mais velho, não concordou. Disse que não derramassem sangue, e propôs que o lançassem numa cova do deserto, com a intenção, que o texto revela, de depois tirá-lo de lá e devolvê-lo ao pai.

Quando José chegou, os irmãos lhe arrancaram a túnica colorida e o jogaram na cova. O texto registra um detalhe: a cova estava vazia, sem água.

Em seguida, sentaram-se para comer. Imagine esse contraste. O irmão no fundo de uma cova, e os outros comendo. Então viram passar uma caravana de ismaelitas a caminho do Egito. Judá disse: por que matá-lo? Vendamo-lo. É nosso irmão, nossa carne. Os irmãos concordaram. Venderam José por vinte moedas de prata, e ele foi levado ao Egito.

O recorte termina aí. O texto não mostra o que José sentiu na cova, nem o que o pai percebia sobre o ódio dos filhos. Mas mostra que o pai enviou José, sozinho, justamente aos irmãos que o odiavam. A leitura de que o pai não via o tamanho do problema é uma interpretação.

Repare em três detalhes. O favoritismo do pai alimentou a rivalidade, e o presente tornou José um alvo. O grupo ganhou força contra um só. E houve alguém que tentou impedir o pior, Rúben, e outro que propôs uma alternativa, Judá, mas ninguém enfrentou o grupo por inteiro para proteger o irmão.

A história trata de José, da sua família e do caminho até o Egito. Relacioná-la ao que os nossos filhos vivem hoje é uma aplicação para a nossa vida, não o assunto original do relato.

Compreendendo o ensinamento

O que aconteceu com José tem traços do que hoje chamamos de bullying: um grupo contra um, o isolamento, a humilhação, a violência. Pode acontecer na escola, no condomínio, no clube e também nas redes, onde se chama cyberbullying e pode ser ainda mais difícil de escapar, porque chega em casa, no celular, a qualquer hora.

Muitas crianças e adolescentes não contam. Têm vergonha, medo de piorar, medo de ouvir que é exagero. Alguns sinais merecem atenção: dor de barriga ou de cabeça antes de ir à escola, recusa em ir, queda nas notas, mudanças de humor, isolamento, objetos que somem, medo do celular, falta de amigos. E o outro lado também existe: o filho que pratica bullying precisa ser visto, orientado e responsabilizado, porque quem humilha costuma estar repetindo algo que viu ou sofreu.

Em casa, a rivalidade entre irmãos aumenta com a comparação e o favoritismo. Frases como “por que você não é como seu irmão?” ensinam os filhos a competir em vez de proteger uns aos outros.

Em Salmos, capítulo cento e trinta e três, versículo um, o salmista escreve, em paráfrase editorial, que é bom e agradável quando os irmãos vivem em união. A união é um bem que se constrói em casa, com cuidado.

E em Mateus, capítulo dezoito, versículo dez, Jesus diz, em paráfrase editorial, que não devemos desprezar nenhum destes pequeninos, porque os seus anjos nos céus sempre veem a face do Pai. Cada criança tem valor aos olhos de Deus, e cada adulto responde por proteger.

Esses textos não prometem que os conflitos desaparecem, nem tornam fácil o papel dos pais. Mostram que prestar atenção, proteger e tratar cada filho com justiça faz parte do cuidado.

Se o seu filho sofre bullying, escute sem minimizar, evite dizer que é bobagem e agradeça por ele ter contado. Guarde provas, como mensagens e imagens. Procure a escola por escrito e acompanhe as providências. Se a situação continuar, procure o Conselho Tutelar. A legislação brasileira reconhece o bullying e o cyberbullying. Cuide também da saúde emocional dele, com apoio de um psicólogo. E, se ele falar em se machucar ou em desistir da vida, procure ajuda imediata. O Centro de Valorização da Vida atende pelo cento e oitenta e oito.

Quando os filhos se machucam

Comece abrindo a conversa. Pergunte com calma: como foi o seu dia? Teve alguma coisa que te deixou mal? Há alguém na escola que te trata mal? Escolha um momento sem pressa, como no carro ou antes de dormir. E ouça mais do que fale.

Depois, aja com o que você ouviu. Não prometa segredo se a situação for grave, mas combine com ele os próximos passos. Procure a escola, registre, acompanhe. Ensine o filho a pedir ajuda e a ser aliado de quem é excluído, como Rúben e Judá poderiam ter sido por inteiro. Em casa, evite comparações e favoritismos, e reconheça o valor de cada filho. Quando houver briga entre irmãos, ajude-os a consertar, em vez de apenas separar.

Perguntas para refletir

Há alguma criança ou adolescente na minha casa que não está bem e não conta? Eu comparo os meus filhos? Como eu reajo quando o meu filho me conta algo difícil? Como estou ensinando os meus filhos a proteger uns aos outros?

Um passo para hoje

Escolha um momento calmo e converse com cada filho, a sós, perguntando como estão na escola, com os amigos e nas redes. Escute sem interromper. Depois, anote o que precisa de acompanhamento e escolha um próximo passo. Leve tudo a Deus, em oração.

Momento de oração

Faça uma pausa diante de Deus. Pense em cada um dos seus filhos, um por um, e perceba o que cada um precisa de você. Respire fundo e solte o ar devagar. Entregue a Deus o que você não vê. Fique alguns instantes em silêncio.

Você pode falar com Deus com suas próprias palavras. Se desejar, use esta oração como sugestão:

Senhor, quero que os meus filhos estejam bem, e tenho medo do que não vejo. Tu conheces o que cada um deles vive na escola, nas redes e em casa. Mostra-me o que eu preciso enxergar.

Dá-me olhos atentos e ouvidos pacientes. Ajuda-me a tratar cada filho com justiça, sem comparações. Protege os que estão sendo machucados e ensina os que machucam a mudar. Põe ao lado deles pessoas que os defendam e dá-me coragem para agir a favor deles. Agradeço-te porque cada um deles é precioso aos teus olhos. Amém.

Continue sua jornada

Leia Gênesis, capítulo trinta e sete, versículos três a vinte e oito, na íntegra. Depois, leia Salmos, capítulo cento e trinta e três, e Mateus, capítulo dezoito, versículos um a dez, para ver como a Bíblia fala de união e de cuidado com os pequeninos.

Sobre as citações bíblicas: as passagens citadas foram apresentadas em paráfrase editorial, conferida quanto ao sentido com edições de Almeida (Gênesis 37, Salmos 133, Mateus 18). O relato bíblico foi recontado em palavras próprias; o que o texto imagina ou interpreta está sinalizado ao longo da reflexão.

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