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Casal sentado à mesa da cozinha escreve combinados numa folha, ao lado de uma Bíblia aberta.
Comunicação e relacionamentos

1 Samuel 2:22–25

Quando o limite chega tarde

Primeiro Samuel, capítulo dois, versículos vinte e dois a vinte e cinco, mostra um pai idoso que corrige os filhos adultos tarde demais e não é ouvido

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Muitos pais têm medo de dar limite. Medo de perder o carinho, de virar o vilão, de ser comparado com os pais dos amigos, de repetir a dureza que viveram. Outros estão tão cansados que cedem para não brigar. E, com o tempo, o que era um pequeno desvio vira um padrão. Um dia, o pai ou a mãe percebe que o filho já não ouve, e se pergunta: será que eu demorei demais?

A Palavra de Deus

Primeiro Samuel, capítulo dois, versículo vinte e três, em paráfrase editorial:

Por que vocês fazem coisas assim? Porque ouço de todo este povo o que há de mal nas suas ações.

1 Samuel 2:23 · paráfrase editorial

Quem diz essas palavras é Eli, um sacerdote muito idoso, aos seus filhos adultos. É uma pergunta honesta. E o texto mostra o que acontece quando ela chega tarde.

Eli e os filhos

O relato está no primeiro livro de Samuel. Eli era sacerdote em Israel. Seus dois filhos também serviam no templo. E o texto conta que eles faziam coisas graves, que prejudicavam o povo e que todos comentavam.

Eli era já muito idoso, e o texto diz que ele ouvia tudo o que os filhos faziam. Ou seja, ele sabia. Não era um pai que ignorava, e sim alguém que, por muito tempo, não agiu com firmeza.

Quando falou, disse: por que vocês fazem essas coisas? Tenho ouvido de todo o povo o mal que vocês fazem. Não, meus filhos, não é boa a fama que eu ouço, e vocês estão levando o povo a se desviar. E argumentou: se um homem peca contra outro homem, os juízes o julgam. Mas, se peca contra o Senhor, quem intercederá por ele?

Imagine essa conversa. Um pai idoso, diante de filhos adultos, falando o que talvez devesse ter dito há muito tempo.

O texto registra a resposta: eles não deram ouvidos à voz do pai.

Repare em três detalhes. Eli sabia, mas o limite só veio quando o problema já estava grande. Falou com palavras claras, sem rodeios. E, mesmo assim, os filhos não ouviram. Os filhos também eram responsáveis por suas escolhas. O texto não os trata como vítimas das falhas do pai.

Em outros trechos do livro, a falta de firmeza de Eli é criticada. Mas, neste trecho, o que vemos é um pai que, finalmente, fala.

A história trata de Eli, de seus filhos e do serviço no templo. Relacioná-la à educação de adolescentes hoje é uma aplicação para a nossa vida, não o assunto original do relato.

Compreendendo o ensinamento

O relato de Eli não serve para nos culpar. Serve para nos lembrar de que o limite, para funcionar, precisa vir cedo, com amor e com firmeza. E que, mesmo quando chega tarde, vale tentar, sabendo que os filhos também escolhem.

Muitos pais de adolescentes hoje se reconhecem na dificuldade de Eli. Há os que têm medo de perder o vínculo, e por isso cedem. Há os que se sentem culpados por trabalhar muito, por uma separação ou por uma fase difícil, e compensam com permissividade. Há os que querem ser amigos do filho antes de serem pais. E há casais que discordam sobre as regras e acabam não tendo nenhuma.

O resultado, muitas vezes, aparece na adolescência: celular sem limite de horário, festas até tarde sem acompanhamento, notas em queda, desrespeito em casa, uso de álcool, de cigarro eletrônico ou de outras drogas. O adolescente testa limites, e precisa encontrá-los. Quando não encontra, pode se sentir menos seguro e menos cuidado.

Em Hebreus, capítulo doze, versículo onze, o autor escreve, em paráfrase editorial, que nenhuma correção parece agradável na hora, mas dá tristeza, e que depois produz fruto de paz e justiça em quem foi exercitado por ela. Correção, aqui, é orientação e consequência, e não violência.

E em Provérbios, capítulo doze, versículo um, o sábio diz, em paráfrase editorial, que quem ama a correção ama o conhecimento, mas quem odeia a repreensão é insensato. Aprender a receber orientação é uma habilidade que também se ensina em casa.

Esses textos não pedem pais duros nem perfeitos. Pedem pais presentes, que combinam regras claras, explicam os motivos e sustentam as consequências com calma.

Se você desconfia que o seu filho usa álcool ou drogas, ou se o comportamento dele está ficando perigoso, procure ajuda sem demora. Há serviços de saúde, como os centros de atenção psicossocial, e profissionais que podem orientar a família. Pedir ajuda cedo faz diferença.

Quando é hora de dar limite

Comece alinhando com quem educa junto com você. Se há outro responsável, combinem as poucas regras que sustentam, como horários, uso de celular, respeito e segurança. Regras escritas e conversadas evitam discussões na hora.

Depois, fale em um momento calmo, e não no calor da briga. Explique o motivo, ouça o que o adolescente tem a dizer e combine a consequência. E sustente. Uma regra combinada e não cumprida ensina que a regra não vale. Se você já demorou, não se pune. Diga: percebi que eu devia ter combinado isso antes, e vou fazer diferente a partir de hoje. Pedir desculpas ao filho e recomeçar também educa. Mantenha o carinho junto com o limite: elogie o que está certo e fique presente.

Perguntas para refletir

Que limite eu tenho evitado dar? O que eu temo que aconteça se eu der? Eu e a outra pessoa que educa o meu filho estamos de acordo? Que regra simples eu posso combinar e sustentar esta semana?

Um passo para hoje

Escolha uma regra importante, como o horário do celular à noite ou a hora de voltar para casa. Converse com o seu filho, explique o motivo, ouça a opinião dele e combine a consequência. Escreva o combinado. Leve tudo a Deus, em oração.

Momento de oração

Faça uma pausa diante de Deus. Pense nos limites que você tem evitado e perceba o que sente: medo, cansaço, culpa. Respire fundo e solte o ar devagar. Entregue a Deus o que você já deixou passar e o que ainda pode fazer. Fique alguns instantes em silêncio.

Você pode falar com Deus com suas próprias palavras. Se desejar, use esta oração como sugestão:

Senhor, eu tenho medo de dar limite, e às vezes cedo para não brigar. Tu conheces o meu cansaço, a minha culpa e o meu desejo de acertar. Hoje eu quero recomeçar.

Dá-me coragem para combinar regras claras, paciência para explicar e firmeza para sustentar. Ajuda-me a unir-me a quem educa comigo. Perdoa o que deixei passar e mostra-me o que ainda posso fazer. Protege o meu filho e ensina-o a escolher bem. Agradeço-te porque o amor também sabe dizer não. Amém.

Continue sua jornada

Leia Primeiro Samuel, capítulo dois, versículos vinte e dois a vinte e cinco, na íntegra. Depois, leia Hebreus, capítulo doze, versículos cinco a onze, e Provérbios, capítulo doze, versículos um a quatro, para ver como a Bíblia fala de correção e de crescimento.

Sobre as citações bíblicas: as passagens citadas foram apresentadas em paráfrase editorial, conferida quanto ao sentido com edições de Almeida (1 Samuel 2, Hebreus 12, Provérbios 12). O relato bíblico foi recontado em palavras próprias; o que o texto imagina ou interpreta está sinalizado ao longo da reflexão.

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