
Lucas 13:6–9
Mais um ano
Lucas, capítulo treze, versículos seis a nove, é uma parábola curta sobre uma figueira que não dava fruto e um vinhateiro que pediu mais um ano de cuidado
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Narração completa
Quase todo mundo sabe o que é esperar por alguém. Esperar que o filho amadureça, que o cônjuge mude um hábito, que o colega entenda, que a relação melhore, que a gente mesmo supere um defeito. E quase todo mundo conhece o cansaço dessa espera: já falei tantas vezes, já pedi, já expliquei, quando é que isso muda? A paciência acaba, e a vontade é cortar: acabar com a conversa, com a relação, com a esperança. Uma pequena parábola de Jesus fala exatamente desse momento, e dá uma resposta que não é simples nem ingênua.
A Palavra de Deus
Tiago, capítulo cinco, versículos sete e oito, em paráfrase editorial:
Sejam pacientes, irmãos. Vejam como o agricultor espera o fruto precioso da terra, com paciência, até receber a chuva do início e a do fim. Sejam também pacientes, fortaleçam o coração.
Tiago 5:7–8 · paráfrase editorial
O agricultor sabe que não manda no tempo. Faz a sua parte, e espera as chuvas. A paciência, aqui, não é inércia: é trabalho misturado com espera.
A figueira e o vinhateiro
Jesus contou esta parábola, uma história inventada para ensinar. Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Ele foi procurar fruto nela, e não encontrou nenhum.
Então disse ao vinhateiro, a pessoa que cuidava da vinha: há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não encontro. Corte-a! Por que ocupa a terra inutilmente?
Pense na frustração do dono. Três anos de espera. A árvore ocupava espaço, gastava água e nutrientes, e nada dava. É razoável querer cortar. A conta parece justa.
Mas o vinhateiro respondeu: Senhor, deixe-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e coloque adubo. Se der fruto, ótimo. Se não der, depois o senhor a cortará.
Repare no que ele pediu. Não pediu para ignorar o problema nem para dizer que a árvore estava bem. Pediu mais um ano, e disse o que faria nesse tempo: cavar ao redor, adubar. Pediu tempo com trabalho. E aceitou o limite: se não der fruto, depois o senhor a cortará.
A parábola termina aí, sem dizer se a figueira deu fruto.
Repare em quatro detalhes. A frustração do dono era real, e a parábola não a ridiculariza. O vinhateiro não negou o problema: reconheceu que não havia fruto. Ele pediu um prazo definido: este ano ainda. E propôs ação: escavar e adubar, em vez de só esperar.
A parábola está no contexto de um ensino de Jesus sobre a necessidade de mudança, e fala do povo e da paciência de Deus. Ela não é uma regra para relacionamentos. Em especial, a ameaça de cortar a árvore não é uma instrução para cortar pessoas. Aplicar a parábola à paciência nas relações é uma aplicação para a nossa vida, não o assunto original do texto.
Compreendendo o ensinamento
A parábola oferece uma imagem para um dilema comum: desistir ou esperar? Ela sugere um terceiro caminho: esperar com cuidado e com prazo. Algumas ideias práticas.
Primeiro, nomear o que se espera. Muitas decepções vêm de expectativas que ninguém disse em voz alta. O que, exatamente, eu espero do outro? Em quanto tempo? É razoável? Já conversei sobre isso de forma clara? O dono procurou fruto numa figueira, e é o que uma figueira deve dar. Mas, às vezes, esperamos de alguém o que ele não pode dar agora.
Segundo, perguntar o que a pessoa precisa para mudar. O vinhateiro propôs cavar e adubar: mudar as condições. Muitas vezes, pedimos mudança sem oferecer apoio. Uma conversa clara, um combinado, ajuda prática, um tratamento, um tempo de descanso podem fazer diferença.
Terceiro, definir um prazo. Paciência sem fim, sem avaliar, pode se tornar omissão. Pedir um ano, ou três meses, ou o tempo que for razoável, e depois reavaliar com honestidade, é diferente de esperar indefinidamente. O vinhateiro aceitou que, depois, a árvore pudesse ser cortada.
Quarto, fazer a sua parte. Esperar não é ficar parado. Pode ser mudar o que depende de você: a forma de pedir, a rotina, os limites, o que alimenta o problema.
Quinto, aplicar o mesmo a você mesmo. Muita gente é impaciente consigo: já deveria ter superado, aprendido, mudado. A paciência com o próprio processo, com o tempo do cuidado, também é cuidado.
É preciso ser claro sobre os limites da paciência. Paciência não significa aguentar violência, humilhação, controle ou desrespeito contínuos. Se você vive isso, o caminho não é esperar: é se proteger, procurar apoio e, se necessário, sair da situação. O Ligue cento e oitenta atende mulheres em situação de violência, o Disque cem recebe denúncias de violações de direitos humanos e o cento e noventa chama a polícia em caso de risco. Também não é paciência adiar indefinidamente uma conversa necessária, como um problema de vício, de saúde ou de dinheiro que prejudica a família. Nesses casos, esperar sem agir pode ser omissão.
Se a espera tem esgotado você, e a impaciência vira raiva, tristeza ou cansaço profundo, vale conversar com um psicólogo. Se aparecerem pensamentos de desistir da vida, procure ajuda agora: o Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente, a qualquer hora, pelo telefone cento e oitenta e oito.
Mais um ano
Escolha uma mudança que você espera de alguém, ou de você. Escreva o que espera, em quanto tempo e o que poderia ajudar. Converse com a pessoa, se for ela, sobre isso. Escolha uma ação sua para os próximos meses, como o vinhateiro, e uma data para reavaliar.
Se você é quem está sendo esperado, pergunte: o que você precisa de mim? E o que eu preciso para mudar?
Perguntas para refletir
O que eu espero, e o outro sabe? O que poderia ajudar essa pessoa, ou a mim, a mudar? Qual é um prazo razoável para reavaliar? O que eu posso fazer enquanto espero?
Um passo para hoje
Escreva uma expectativa e converse sobre ela, com clareza e sem acusação. Escolha uma ação sua de cuidado e uma data para reavaliar. Se há violência ou desrespeito, procure apoio. Depois, leve tudo a Deus.
Momento de oração
Faça uma pausa diante de Deus. Perceba o cansaço de esperar e de não ver mudança. Respire fundo e solte o ar devagar. Imagine alguém cavando ao redor de uma árvore, com calma, sem pressa e sem desistir. Fique alguns instantes em silêncio.
Você pode falar com Deus com suas próprias palavras. Se desejar, use esta oração como sugestão:
Senhor, eu estou cansado de esperar, e às vezes só quero cortar. Tu conheces a minha frustração e o meu limite. Ensina-me uma paciência que cuida e que sabe dizer quando basta.
Mostra-me o que posso fazer enquanto espero e o que preciso dizer com clareza. Dá-me paciência com o outro e comigo mesmo. Protege-me de aguentar o que me machuca. Agradeço-te porque tu tens paciência comigo. Amém.
Continue sua jornada
Leia Lucas, capítulo treze, versículos seis a nove, na íntegra. Depois, leia Tiago, capítulo cinco, versículos sete a onze, e Segunda Pedro, capítulo três, versículos oito e nove, para ver como a Bíblia fala de paciência e de tempo.