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Mulher de luto sentada à mesa, de olhos baixos, apoiada na cadeira, enquanto uma mão segura a sua com carinho.
Inteligência emocional

João 11:17–37

Jesus chorou

João, capítulo onze, versículos dezessete a trinta e sete, mostra duas irmãs de luto, uma pergunta cheia de dor e a frase mais curta do evangelho

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7 min de leitura

O luto é uma tristeza que a gente não escolhe e não controla. Vem em ondas, com saudade, raiva, culpa, vazio. Pode surgir no meio do trabalho, no supermercado, ao ouvir uma música. E, junto com a dor, vêm perguntas sem resposta: por que aconteceu? Eu poderia ter feito diferente? Onde estava Deus? Muitas pessoas têm medo de fazer essas perguntas em voz alta, achando que isso é falta de fé. Esta cena mostra duas mulheres que fizeram exatamente essa pergunta, a Jesus, e o que ele fez.

A Palavra de Deus

Hebreus, capítulo quatro, versículo quinze, em paráfrase editorial:

Não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas.

Hebreus 4:15 · paráfrase editorial

O autor fala de Jesus como alguém que entende a fragilidade humana por dentro, e não de longe.

As duas irmãs e o amigo

O relato está no evangelho de João. Lázaro, de Betânia, estava doente. Era irmão de Marta e de Maria, e amigo de Jesus. As irmãs mandaram avisá-lo, mas Jesus demorou a chegar. Quando chegou, Lázaro já estava morto havia quatro dias.

A casa estava cheia de gente. Muitos judeus tinham vindo consolar Marta e Maria pela perda do irmão. Quando Marta soube que Jesus vinha chegando, foi ao seu encontro, enquanto Maria ficou em casa.

Marta disse: Senhor, se você estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido. Não era só uma frase. Era dor, e talvez uma certa reprovação, e ela a disse. Jesus não a repreendeu. Respondeu-lhe, e ela respondeu de volta, e eles conversaram. Ele disse que o irmão dela ressuscitaria, e disse também que era a ressurreição e a vida. E perguntou: você crê nisso? Ela respondeu com uma confissão de fé.

Depois, Marta chamou Maria em segredo: o Mestre está aqui e a chama. Maria se levantou depressa e foi. Quando chegou, caiu aos pés de Jesus e disse exatamente as mesmas palavras: Senhor, se você estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido.

Duas irmãs, a mesma frase. Essa repetição mostra que era a pergunta que as acompanhava há quatro dias.

Jesus viu Maria chorando, e viu os judeus que vieram com ela também chorando. O texto diz que ele se comoveu profundamente e se perturbou. Perguntou: onde o colocaram? Disseram: Senhor, venha e veja.

E vem a frase mais curta do evangelho, e uma das mais comoventes: Jesus chorou.

Os que estavam ali comentaram: vejam como ele o amava! Alguns disseram: este homem, que abriu os olhos do cego, não poderia ter evitado que Lázaro morresse?

Repare em quatro detalhes. As duas irmãs disseram a Jesus, sem rodeios, a sua queixa. Jesus as ouviu e não as corrigiu. Ele chorou diante da dor delas, antes de fazer qualquer coisa. E havia pessoas ali que o questionaram, e o texto registra isso.

O relato continua: Jesus vai ao túmulo e Lázaro sai vivo. Mas o trecho que nos ocupa termina antes, na dor. A cena trata de Jesus, da ressurreição e da vida, e da fé de Marta. Ela não diz que o luto deva ser abreviado porque a história termina bem, nem que toda perda terá esse desfecho. Aplicá-la ao luto e à tristeza de quem perdeu alguém é uma aplicação para a nossa vida, não o assunto original do relato.

Compreendendo o ensinamento

A cena mostra algo que ajuda muita gente: Jesus chorou. Ele sabia o que ia acontecer depois, e mesmo assim chorou com quem chorava. Isso quer dizer que o choro diante da perda não é falta de fé. E quer dizer que a presença de quem chora junto vale mais do que a pressa de explicar.

Algumas ideias para viver o luto. Primeiro, não há prazo nem jeito certo. Há quem chore muito e quem não chore; quem fale de quem partiu e quem se cale; quem sinta raiva, culpa ou alívio. Tudo isso pode ser parte do luto. Segundo, as perguntas são permitidas. Marta e Maria perguntaram: se você estivesse aqui. Pode-se dizer a Deus, com sinceridade, o que dói, inclusive a raiva. Terceiro, a companhia importa. As irmãs não estavam sozinhas na casa, e a presença dos que vieram consolar, mesmo imperfeita, contou. Quarto, o corpo também sofre: sono, apetite, energia, concentração. Cuidar do básico ajuda.

Também é preciso falar do luto que não cede. Em muitos casos, a dor intensa vai diminuindo, ainda que não desapareça. Mas, se depois de muitos meses a pessoa continua incapaz de retomar a vida, sentindo-se paralisada, com culpa intensa, desejo de morrer para estar com quem partiu, ou sem conseguir fazer o que antes fazia, vale procurar um psicólogo ou médico. Isso pode indicar um luto complicado ou uma depressão, que se tratam. Se aparecerem pensamentos de desistir da vida, procure ajuda agora: o Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente, a qualquer hora, pelo telefone cento e oitenta e oito.

Em Isaías, capítulo cinquenta e três, versículo três, o profeta descreve, em paráfrase editorial, alguém desprezado e rejeitado pelos homens, homem de dores, que conhece o sofrimento. Os cristãos leem esse texto em relação a Jesus. É um retrato de alguém que não vem de fora da dor, mas que a conhece.

Se você acompanha alguém em luto, lembre-se de Jesus: ele perguntou onde puseram o corpo, e chorou. Não ofereceu explicações. Frases como Deus quis assim, ele está em um lugar melhor ou pelo menos não sofre mais, ditas cedo, podem ferir. Às vezes, o melhor é ficar, ouvir e dizer: eu sinto muito.

Jesus chorou

Se você está de luto, escolha um gesto pequeno de cuidado: acender uma vela, escrever uma carta para quem partiu, olhar fotos, visitar um lugar, conversar com alguém que conheceu a pessoa. Não há pressa. Permita-se dizer a Deus o que dói, inclusive as perguntas que parecem proibidas.

Se você acompanha alguém em luto, ofereça algo concreto: uma refeição, uma companhia, uma ajuda com papéis ou tarefas. E aparecer de novo, meses depois, quando todos já voltaram à rotina.

Perguntas para refletir

Que pergunta eu tenho medo de fazer a Deus? O que eu preciso dizer a quem partiu, e ainda não disse? Quem ficou perto de mim na dor, e quem eu posso procurar agora? Como eu posso estar ao lado de alguém em luto, sem pressa de consolar?

Um passo para hoje

Escreva a pergunta que mais dói e diga-a a Deus. Escolha uma pessoa que também conheceu quem partiu e converse com ela. Se o luto não cede e atrapalha a vida, marque uma consulta. Depois, leve tudo a Deus, em oração.

Momento de oração

Faça uma pausa diante de Deus. Perceba a saudade e o vazio. Respire fundo e solte o ar devagar. Diga, em silêncio ou em voz baixa, o nome de quem partiu. Imagine Jesus ao seu lado, chorando junto, sem pressa de explicar. Fique alguns instantes em silêncio.

Você pode falar com Deus com suas próprias palavras. Se desejar, use esta oração como sugestão:

Senhor, eu perdi alguém que amava, e a dor é grande. Eu tenho perguntas, e algumas parecem proibidas. Diz-me que posso fazê-las. Fica comigo e chora comigo.

Cuida do meu corpo, do meu sono e do meu coração. Põe ao meu lado pessoas que fiquem. Ajuda-me a lembrar com amor, sem me prender na dor, e a procurar ajuda quando eu não der conta. Agradeço-te porque tu choras com quem chora. Amém.

Continue sua jornada

Leia João, capítulo onze, versículos dezessete a trinta e sete, na íntegra. Depois, leia Hebreus, capítulo quatro, versículos catorze a dezesseis, e Isaías, capítulo cinquenta e três, versículos três e quatro, para ver como a Bíblia fala de alguém que conhece a dor.

Sobre as citações bíblicas: as passagens citadas foram apresentadas em paráfrase editorial, conferida quanto ao sentido com edições de Almeida (João 11, Hebreus 4, Isaías 53). O relato bíblico foi recontado em palavras próprias; o que o texto imagina ou interpreta está sinalizado ao longo da reflexão.

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