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Homem abatido, de cabeça baixa, sentado ao lado de uma amiga que apoia a mão em seu ombro.
Inteligência emocional

1 Samuel 23:15–18

Ficar ao lado de quem sofre

Primeiro Samuel, capítulo vinte e três, versículos quinze a dezoito, mostra um homem que vai ao encontro de um amigo escondido e o ajuda a se firmar

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Quando alguém que amamos está deprimido, a gente quer ajudar e não sabe como. Tenta animar, e a pessoa se fecha. Dá um conselho, e ela diz que ninguém entende. Cobra uma reação, e ela se afasta. Fica o medo de dizer a coisa errada, de piorar, de não estar à altura. Esta cena mostra um amigo que fez algo simples e importante, e que serve de modelo para quem acompanha alguém que sofre.

A Palavra de Deus

Primeira Tessalonicenses, capítulo cinco, versículo catorze, em paráfrase editorial:

Consolem os desanimados, amparem os fracos, sejam pacientes com todos.

1 Tessalonicenses 5:14 · paráfrase editorial

Paulo escreve a uma comunidade, e coloca o consolo dos desanimados entre as tarefas do cuidado. Não é um trabalho de especialista: é dever de quem convive.

Jônatas no bosque

O relato está no primeiro livro de Samuel. Davi estava sendo perseguido pelo rei Saul, que queria tirar-lhe a vida. Ele vivia em fuga, escondendo-se em desertos e cavernas, sem saber quando seria encontrado. Era um tempo de medo e de cansaço.

Em um desses lugares, no deserto de Zife, num bosque, Davi soube que Saul tinha saído para procurá-lo. Estava sozinho, esgotado, sem proteção.

Então Jônatas, filho de Saul, se levantou e foi ter com Davi no bosque. Jônatas era amigo de Davi, e era filho do homem que o perseguia. Ir até ali tinha um risco, e ele foi.

O texto diz que Jônatas fortaleceu a mão de Davi em Deus. Disse: não tenha medo, porque a mão de Saul, meu pai, não vai alcançá-lo. Você será rei sobre Israel, e eu serei o seu segundo. Até o meu pai sabe disso.

Os dois fizeram uma aliança perante o Senhor. E o texto termina com um detalhe simples: Davi ficou no bosque, e Jônatas voltou para casa.

Repare em quatro detalhes. Jônatas foi até Davi, em vez de esperar que ele o procurasse. Foi com palavras de ânimo e de presença, e não com soluções complicadas. A ajuda dele foi fortalecer, não resolver: a situação de Davi continuou perigosa. E, no fim, Jônatas voltou para casa, e Davi ficou onde estava: o amigo não passou a viver no lugar do outro.

A cena trata de Davi, de Jônatas e da aliança entre os dois, no contexto da perseguição de Saul. Ela não é um manual para acompanhar quem está deprimido. Aplicá-la ao cuidado de quem sofre hoje é uma aplicação para a nossa vida, não o assunto original do relato.

Compreendendo o ensinamento

A cena ajuda a pensar no que é, de fato, ficar ao lado. Algumas ideias práticas, e o primeiro cuidado é este: a depressão é uma condição de saúde, e a pessoa não está escolhendo se sentir assim. Não é preguiça, drama nem falta de fé. Compreender isso muda o tom da conversa.

O que costuma ajudar: ir até a pessoa, como Jônatas, em vez de esperar que ela peça. Uma mensagem simples, uma visita, um convite para caminhar, um café, uma refeição. Ouvir sem interromper e sem pressa de consertar. Perguntar como ela está e ficar com a resposta. Dizer: eu estou aqui, não precisa explicar. Lembrar de datas e de fases difíceis, e voltar a procurar depois de algumas semanas, quando muitos já se afastaram. Oferecer ajuda concreta: acompanhar a uma consulta, ajudar com tarefas, levar comida. E incentivar, sem pressionar, que procure atendimento: oferecer-se para ajudar a marcar a consulta ou ir junto.

O que costuma machucar: dizer que a pessoa tem tudo para ser feliz, comparar com quem está pior, cobrar que reaja, mandar pensar positivo, dizer que é falta de fé, falar que isso passa logo, desaparecer. Também pesa sumir por não saber o que dizer: uma mensagem curta e sincera vale mais do que o silêncio.

É preciso também levar a sério os sinais de risco. Se a pessoa fala em morrer, em não aguentar mais, em ser um peso para os outros, em despedidas ou em planos, leve a sério. Pergunte com cuidado e sem rodeios se ela pensa em se machucar. Perguntar não coloca a ideia na cabeça de ninguém, e pode ser um alívio. Não prometa guardar segredo se houver risco. Fique com ela, ajude a procurar ajuda imediata e, em risco imediato, ligue para o Samu, cento e noventa e dois, ou para o cento e noventa. O Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente, a qualquer hora, pelo telefone cento e oitenta e oito, e também orienta familiares e amigos.

E é preciso cuidar de quem cuida. Jônatas voltou para casa. Ninguém consegue sustentar o outro sem descanso. Procure dividir o apoio com outras pessoas, mantenha as suas rotinas, o seu sono, os seus amigos. Se você se sente exausto, triste ou sobrecarregado, procure também ajuda para si, sem culpa. Não é egoísmo, é o que permite continuar.

Por fim, aceite os limites. Você não é o tratamento. Seu papel é acompanhar, incentivar o cuidado e estar presente. Não se culpe se a pessoa não melhora no ritmo que você gostaria, nem se ela recusa ajuda: oferecer de novo, com calma, é o caminho. O texto de Primeira Tessalonicenses coloca o consolo dos desanimados como tarefa de todos, e não só de especialistas.

Ficar ao lado de quem sofre

Pense em alguém próximo que parece estar sofrendo. Mande hoje uma mensagem simples: estou pensando em você; como você está de verdade? Se a pessoa responder pouco, não desista: tente de novo em alguns dias. Combine algo pequeno e concreto, como uma caminhada curta ou um café.

Se perceber sinais de risco, não espere: converse com ela e procure ajuda. E reserve um tempo para si, para descansar e conversar com alguém também.

Perguntas para refletir

Quem perto de mim parece estar sofrendo e eu ainda não procurei? O que eu tenho dito que pode machucar sem eu perceber? Que ajuda concreta eu posso oferecer? Como eu estou cuidando de mim enquanto cuido de alguém?

Um passo para hoje

Escolha uma pessoa que pareça estar sofrendo e envie uma mensagem sincera, sem cobrar resposta. Anote o número do CVV, cento e oitenta e oito, para o caso de precisar. Reserve um tempo de descanso para você. Depois, leve tudo a Deus, em oração.

Momento de oração

Faça uma pausa diante de Deus. Pense em alguém que você ama e que está sofrendo. Respire fundo e solte o ar devagar. Entregue a Deus o medo de errar e a vontade de resolver. Fique alguns instantes em silêncio.

Você pode falar com Deus com suas próprias palavras. Se desejar, use esta oração como sugestão:

Senhor, eu amo alguém que está sofrendo, e não sei como ajudar. Tenho medo de errar e de não dar conta. Tu conheces essa pessoa e a sua dor, e conheces o meu limite.

Dá-me ouvidos que escutem, palavras que cuidem e paciência que não se canse depressa. Mostra-me quando insistir e quando só ficar. Protege-a e cuida também de mim, para que eu tenha forças para continuar. Agradeço-te porque tu me usas para fortalecer quem está cansado. Amém.

Continue sua jornada

Leia Primeiro Samuel, capítulo vinte e três, versículos quinze a dezoito, na íntegra. Depois, leia Primeira Tessalonicenses, capítulo cinco, versículos catorze a vinte e dois, e Segunda Coríntios, capítulo um, versículos três a sete, para ver como a Bíblia fala de consolar e ser consolado.

Sobre as citações bíblicas: as passagens citadas foram apresentadas em paráfrase editorial, conferida quanto ao sentido com edições de Almeida (1 Samuel 23, 1 Tessalonicenses 5). O relato bíblico foi recontado em palavras próprias; o que o texto imagina ou interpreta está sinalizado ao longo da reflexão.

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