Pular para o conteúdo
Homem à porta de casa, com um envelope na mão, olha para fora com determinação.
Finanças e patrimônio

Lucas 19:1–10

Reparar e recomeçar com honestidade

Lucas, capítulo dezenove, versículos um a dez, mostra um homem rico e mal visto, uma árvore, um convite pelo nome e um acerto de contas que começou em casa

Ouça este ensinamento

Narração completa

0:00--:--

7 min de leitura

Algumas dívidas não são só de dinheiro. São de confiança. Quando se deve a alguém, ou se prometeu o que não foi cumprido, ou se ficou com o que não era seu, o peso é duplo: o valor em aberto e a cara que não se consegue mais mostrar. Muita gente fica anos desviando de uma conversa por vergonha, e a vergonha adia o recomeço. Esta história mostra um homem que resolveu acertar contas, e mostra que o que o fez mudar não foi uma bronca.

A Palavra de Deus

Romanos, capítulo treze, versículo oito, em paráfrase editorial:

Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros.

Romanos 13:8 · paráfrase editorial

Não é uma sentença contra quem deve. É um horizonte: viver de modo que as contas estejam em dia, e o amor continue sendo uma dívida que nunca se quita.

Zaqueu na árvore

O relato está no evangelho de Lucas. Jesus entrou em Jericó e ia passando pela cidade. Havia ali um homem chamado Zaqueu, chefe dos cobradores de impostos e rico. Os cobradores de impostos eram malvistos, porque trabalhavam para o poder estrangeiro e muitas vezes cobravam mais do que o devido.

Zaqueu queria ver quem era Jesus, mas não conseguia, porque era de pequena estatura e havia uma multidão. Então fez algo inesperado para um homem importante: correu na frente e subiu numa árvore, para vê-lo passar.

Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima e o chamou pelo nome: Zaqueu, desça depressa, porque hoje preciso ficar na sua casa. Ele desceu depressa e o recebeu com alegria.

A multidão não gostou. Murmuraram: foi hospedar-se na casa de um pecador. Mas foi ali, dentro de casa, que Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, eu dou aos pobres a metade dos meus bens, e, se de alguém eu tomei alguma coisa por fraude, devolvo quatro vezes mais.

Jesus respondeu: hoje houve salvação nesta casa, porque também este homem é filho de Abraão. Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido.

Repare em quatro detalhes. Jesus chamou Zaqueu pelo nome antes de qualquer mudança dele. Entrou na casa, enquanto a multidão murmurava. A decisão de Zaqueu veio depois do encontro, e não por pressão. E o acerto foi concreto: partilhar e devolver, com um acréscimo, e não apenas dizer que sentia muito.

A história trata do encontro de Jesus com um homem que se aproveitava de outros, e do que a salvação provocou nele. Ela não é um manual sobre dívidas pessoais. Aplicá-la a quem deve hoje, e à honestidade para reparar um erro com dinheiro, é uma aplicação para a nossa vida, não o assunto original do relato.

Compreendendo o ensinamento

A cena ajuda a pensar em reparar sem se esmagar. Primeiro, o ponto de partida: Zaqueu foi acolhido antes. Muita gente adia o acerto porque acredita que será condenada. A vergonha diz: se você contar, vai ser pior. Mas o relato mostra um começo diferente: a mudança nasce de uma acolhida, e não de uma humilhação.

Segundo, a diferença entre os casos. Zaqueu tinha cobrado a mais de pessoas. Hoje, o caso de cada um é diferente: pode ser uma dívida que você tem com um banco, um parente, um amigo, um fornecedor; pode ser um dinheiro que você usou sem avisar; pode ser uma promessa que não pôde cumprir porque a vida apertou. Nem toda dívida é um erro moral. Muitas vêm de doença, desemprego e imprevistos. O que o texto nos pede é honestidade sobre o que se deve, e não autopunição.

Terceiro, o nome sujo. Estar negativado não define quem você é. É uma consequência de não ter conseguido pagar, e pode ser tratada: procurar o credor, pedir o valor atualizado, negociar uma parcela que caiba, guardar por escrito o que foi combinado e, depois do pagamento, conferir se o nome foi regularizado. Cuidado com quem cobra para limpar o nome, porque você pode fazer isso diretamente, e por meios gratuitos ou de baixo custo. A orientação é geral: vale conferir com o Procon, com a Defensoria ou com um profissional.

Quarto, a transparência. Se você deve a uma pessoa, uma conversa honesta vale mais do que o silêncio. Diga o valor, diga o que consegue pagar, proponha uma data e cumpra. Prometer o que não dá para pagar é uma nova dívida. É melhor oferecer pouco e cumprir.

E há o que Zaqueu fez além do necessário: partilhou com os pobres. Mas ele fez isso depois de se reconciliar, e por escolha. Não use esse gesto para se pressionar a dar o que você não tem.

Em Provérbios, capítulo três, versículo vinte e sete, o sábio diz, em paráfrase editorial: não retenha o bem de quem tem direito a ele, se você pode fazê-lo. É um incentivo para pagar a quem é devido. Se você não pode agora, o caminho é combinar com honestidade, e não esconder.

Se a vergonha ou o medo vêm acompanhados de desespero, de vontade de sumir, ou de pensamentos de desistir da vida, procure ajuda agora: o Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente, a qualquer hora, pelo telefone cento e oitenta e oito.

Reparar e recomeçar com honestidade

Comece por uma lista simples: a quem eu devo, quanto, desde quando, e o que eu consigo pagar sem faltar com o essencial. Escolha uma dívida por vez. Entre em contato, de preferência por escrito ou em uma conversa em que você possa registrar o que foi combinado. Não prometa o que não consegue cumprir.

Se for uma dívida com uma pessoa próxima, comece com um reconhecimento simples: eu devo isto, sinto muito ter demorado, posso pagar assim. Se for com uma empresa, peça uma proposta por escrito e leia. Depois de pagar, guarde os comprovantes. E, ao mesmo tempo, cuide do que causou a dívida: ajustar o orçamento, evitar novos compromissos e pedir ajuda para não repetir.

Perguntas para refletir

A quem eu devo e venho evitando a conversa? O que eu consigo pagar de verdade, sem faltar com o essencial? Qual é a primeira conversa que eu preciso ter? Que acolhida eu preciso receber para dar esse passo?

Um passo para hoje

Escolha uma única dívida, com uma pessoa ou uma empresa, e escreva o que você quer dizer. Defina um valor e uma data que você consegue cumprir. Marque a conversa ou envie a mensagem. Depois, leve tudo a Deus, em oração.

Momento de oração

Faça uma pausa diante de Deus. Perceba a vergonha que faz você desviar da conversa. Respire fundo e solte o ar devagar. Imagine que alguém lhe chama pelo nome, sem acusar, e quer ficar na sua casa. Fique alguns instantes em silêncio.

Você pode falar com Deus com suas próprias palavras. Se desejar, use esta oração como sugestão:

Senhor, há contas que eu venho adiando por medo e vergonha. Tu me chamas pelo nome e não me esmagas. Dá-me coragem para dizer a verdade, humildade para pedir um prazo e honestidade para só prometer o que posso cumprir.

Onde eu falhei, ajuda-me a reparar. Onde eu fui prejudicado, dá-me paciência. Cuida das pessoas a quem devo e abre caminhos de acordo justo. Agradeço-te porque, em vez de me condenar, tu me acolhes. Amém.

Continue sua jornada

Leia Lucas, capítulo dezenove, versículos um a dez, na íntegra. Depois, leia Romanos, capítulo treze, versículos oito a dez, e Provérbios, capítulo três, versículos vinte e sete e vinte e oito, para ver como a Bíblia fala de pagar o que se deve e de viver em amor.

Sobre as citações bíblicas: as passagens citadas foram apresentadas em paráfrase editorial, conferida quanto ao sentido com edições de Almeida (Lucas 19, Romanos 13, Provérbios 3). O relato bíblico foi recontado em palavras próprias; o que o texto imagina ou interpreta está sinalizado ao longo da reflexão.

Enviar no WhatsApp

Outros ensinamentos