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Mulher sentada na beira da cama, abatida, enquanto alguém lhe oferece um copo de água; na mesa de cabeceira, uma Bíblia aberta.
Produtividade e excelência

João 5:1–9

Quando parar não é preguiça

João, capítulo cinco, versículos um a nove, mostra um homem parado há trinta e oito anos, uma pergunta de Jesus e um primeiro passo possível

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Nem tudo o que parece preguiça é preguiça. Há quem queira levantar da cama, começar a tarefa, responder aquela mensagem, e não consiga. O corpo pesa, a cabeça embaralha, o começo parece uma montanha. E, por cima disso, vem a culpa: o que há de errado comigo? Os outros conseguem. Se você já se sentiu assim, saiba que existe uma diferença entre não querer e não conseguir, e que merece ser olhada com cuidado.

A Palavra de Deus

João, capítulo cinco, versículo seis, em paráfrase editorial:

Você quer ficar curado?

João 5:6 · paráfrase editorial

Quem pergunta isso é Jesus, a um homem deitado havia muito tempo. A pergunta não é uma acusação. Dá ao homem a chance de dizer o que quer, e de contar o que o impede.

O homem de Betesda

O relato está no evangelho de João. Jesus subiu a Jerusalém para uma festa. Perto da Porta das Ovelhas havia um tanque chamado Betesda, com cinco pórticos. Ali estava deitada uma multidão de doentes, cegos, mancos e paralíticos, à espera de que a água se agitasse. Segundo a crença do lugar, quem entrasse primeiro depois da agitação seria curado.

Entre eles estava um homem que sofria havia trinta e oito anos. Trinta e oito anos. Imagine o que isso significa: gerações de esperas, de tentativas e de decepções, com o mesmo lugar, a mesma maca, o mesmo tanque.

Jesus o viu deitado e soube que estava assim havia muito tempo. E perguntou: você quer ficar curado?

O homem não respondeu sim nem não. Contou a sua dificuldade: Senhor, não tenho ninguém que me coloque no tanque quando a água se agita. Enquanto eu tento chegar, outro desce antes de mim.

Repare na resposta. Não é a fala de alguém preguiçoso. É a de alguém que tentou, que dependia de outras pessoas e que, muitas vezes, chegou tarde. Há ali cansaço, solidão e desânimo acumulados.

Jesus não discutiu a explicação. Não o repreendeu nem lhe deu uma aula. Disse apenas: levante-se, pegue a sua maca e ande. E o texto diz que o homem ficou curado na hora, pegou a maca e andou. Era sábado.

Repare em quatro detalhes. A pergunta veio antes da ordem. O homem foi ouvido, e a sua explicação apareceu inteira. O primeiro passo foi simples e concreto: levantar, pegar, andar. E o texto lembra, de passagem, que havia uma multidão de doentes ali, e que apenas um deles é descrito sendo curado.

A história trata de uma cura feita por Jesus e do que ela revelou sobre ele. Relacioná-la à paralisia do dia a dia, e à diferença entre preguiça e outras causas de inércia, é uma aplicação para a nossa vida, não o assunto original do relato.

Compreendendo o ensinamento

O relato ajuda a fazer uma pergunta melhor do que por que eu sou assim. A pergunta é: o que está me travando? E, antes de tudo, convida a tratar quem está parado com cuidado, e não com acusação.

Hoje, muita inércia tem causas que não são falta de vontade. A depressão tira a energia e o prazer de fazer coisas, e deixa tudo pesado. A ansiedade leva a evitar o que assusta, e a evitação vira adiamento. O TDAH, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, torna difícil iniciar, organizar e manter a atenção, mesmo quando há muito interesse. O esgotamento, o burnout, deixa o corpo sem combustível. Doenças crônicas, dor, má qualidade do sono e luto também travam. E há o perfeccionismo, o medo de errar e a fuga do desconforto, que fazem adiar o que não ficaria perfeito.

Nesses casos, chamar de preguiça piora tudo: acrescenta vergonha a um peso que já existe, e a vergonha cobra mais energia. É comum a pessoa tentar muitas vezes, fracassar e concluir que o problema é o seu caráter, como o homem que sempre chegava depois de outro ao tanque.

Também há a preguiça propriamente dita: a vontade de evitar esforço, que todo mundo sente às vezes. Ela se trata com passos pequenos, rotina e responsabilidade. Mas a primeira tarefa é descobrir qual é o caso.

Em Isaías, capítulo quarenta e dois, versículo três, o profeta diz, em paráfrase editorial, que o Servo do Senhor não quebra a cana rachada nem apaga o pavio que ainda fumega. É uma imagem de cuidado com quem está frágil.

Esse texto não promete cura instantânea e não substitui o tratamento. Mostra como Deus olha para quem está sem forças, e que procurar ajuda não contradiz a fé. Orar e se tratar andam juntos.

Se você sente tristeza profunda, perda de interesse por tudo, cansaço constante, dificuldade de dormir, ou percebe que não consegue começar nada há semanas, procure um médico ou psicólogo. Se aparecerem pensamentos de desistir da vida, procure ajuda agora: o Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente, a qualquer hora, pelo telefone cento e oitenta e oito.

Quando parar não é preguiça

Comece com a pergunta de Jesus, feita a si mesmo com carinho: o que eu quero? E depois: o que está me impedindo? Escreva sem se julgar. Pode ser cansaço, medo, tristeza, falta de apoio, confusão, dor.

Depois, procure ajuda para o que não é só falta de ânimo: uma consulta, uma conversa com um profissional, uma pessoa de confiança. Conte a alguém o que está acontecendo. E dê um primeiro passo tão pequeno quanto o de levantar a maca: sentar na cama, beber água, abrir a janela, escrever uma linha, caminhar até a porta. Comemore esse passo. Reduza as exigências do dia para o essencial. Peça a alguém que fique ao seu lado, como o homem do tanque nunca teve. E lembre-se: não precisa fazer tudo hoje.

Perguntas para refletir

O que eu venho chamando de preguiça e talvez seja outra coisa? O que, de verdade, está me impedindo de começar? Quem eu posso procurar para me ajudar? Qual é o menor passo que eu consigo dar hoje?

Um passo para hoje

Escreva o que está te impedindo de começar, sem julgamento. Se houver sinais de tristeza, ansiedade ou esgotamento que duram semanas, marque uma consulta. Escolha um passo mínimo para hoje e conte a alguém. Leve tudo a Deus, em oração.

Momento de oração

Faça uma pausa diante de Deus. Perceba o peso que você carrega no corpo e a voz que diz que você é preguiçoso. Respire fundo e solte o ar devagar. Imagine Jesus perguntando com carinho: você quer ficar curado? E responda com as suas palavras, mesmo que seja só uma explicação. Fique alguns instantes em silêncio.

Você pode falar com Deus com suas próprias palavras. Se desejar, use esta oração como sugestão:

Senhor, eu estou parado há muito tempo, e a culpa pesa tanto quanto o cansaço. Tu conheces o que me trava, o que eu tentei e o que eu não tenho conseguido explicar. Hoje eu quero acolhimento, e não cobrança.

Dá-me coragem para procurar ajuda e humildade para aceitá-la. Põe ao meu lado pessoas que me levem ao tanque. Mostra-me o menor passo possível para hoje e cuida do meu corpo e da minha mente. Livra-me da vergonha que me paralisa. Agradeço-te porque tu não quebras a cana rachada. Amém.

Continue sua jornada

Leia João, capítulo cinco, versículos um a nove, na íntegra. Depois, leia Isaías, capítulo quarenta e dois, versículos um a quatro, e Salmos, capítulo cento e três, versículos oito a catorze, para ver como a Bíblia fala da ternura de Deus com quem está frágil.

Sobre as citações bíblicas: as passagens citadas foram apresentadas em paráfrase editorial, conferida quanto ao sentido com edições de Almeida (João 5, Isaías 42). O relato bíblico foi recontado em palavras próprias; o que o texto imagina ou interpreta está sinalizado ao longo da reflexão.

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