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Homem de mochila nas costas olha para o alto de uma longa escadaria de pedra ao nascer do sol; no primeiro degrau, uma Bíblia aberta.
Inteligência emocional

1 Samuel 17:32–50

Quando o gigante parece grande demais

Primeiro Samuel, capítulo dezessete, versículos trinta e dois a cinquenta, mostra um jovem pastor diante de um gigante que todos temiam e a confiança que ele tinha construído antes daquele dia

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Todos nós conhecemos algum gigante. Pode ser uma doença, uma dívida, uma conversa difícil, um chefe, uma lembrança. Ele fica ali, grande, repetindo todo dia o seu discurso de ameaça. E, quando quem está ao redor também tem medo, a gente começa a achar que o gigante é do tamanho que a nossa dor diz que é.

A Palavra de Deus

Primeiro Samuel, capítulo dezessete, versículo trinta e sete, em paráfrase editorial:

O Senhor, que me livrou das garras do leão e do urso, também me livrará da mão deste filisteu.

1 Samuel 17:37 · paráfrase editorial

Quem diz essas palavras é Davi, e ele não fala de coragem inventada na hora. Fala de algo que já viveu. A confiança dele tem história.

Davi e o gigante

O relato está no primeiro livro de Samuel. O exército de Israel estava diante de um exército inimigo. Todos os dias, um guerreiro enorme chamado Golias saía e desafiava Israel a enviar alguém para lutar com ele. Havia quarenta dias que isso acontecia. O rei Saul e todos os soldados estavam apavorados.

Davi, um jovem pastor, chegou ao acampamento levando comida aos irmãos. Ouviu o desafio e se indignou. Disse que ninguém devia desanimar por causa daquele homem, e se ofereceu para lutar.

Saul o olhou e achou impossível. Disse que Davi era apenas um rapaz, e que Golias era um homem de guerra desde a juventude.

Foi então que Davi contou de onde vinha a sua confiança. Disse que, quando pastoreava as ovelhas do pai, vinham às vezes um leão e um urso levar uma ovelha. E que ele saía atrás, livrava a ovelha e enfrentava o animal. Concluiu: o Senhor, que me livrou do leão e do urso, me livrará também deste filisteu. Saul respondeu: vá, e o Senhor esteja com você.

Saul então quis vestir Davi com a sua própria armadura: um capacete de bronze e uma couraça. Davi tentou andar com aquilo, mas não conseguiu. Disse que nunca havia experimentado, e tirou tudo.

Escolheu o que conhecia. Pegou o cajado, escolheu cinco pedras lisas no ribeiro, colocou-as na sua bolsa de pastor e tomou a funda na mão. Assim se aproximou do gigante.

Golias o viu e o desprezou. Era só um jovem, de aparência agradável, sem armas de guerra. Amaldiçoou Davi e ameaçou entregar o corpo dele às aves e aos animais.

Davi respondeu com palavras que dizem de onde vinha a sua firmeza. Disse que Golias vinha com espada, lança e escudo, mas que ele ia em nome do Senhor, e que todos saberiam que há Deus em Israel, porque a batalha pertencia ao Senhor.

Golias avançou. Davi correu ao seu encontro. Pôs a mão no alforje, tirou uma pedra, atirou com a funda e atingiu o gigante na testa. Golias caiu com o rosto no chão. Davi prevaleceu com uma funda e uma pedra, sem ter espada na mão.

Repare em três detalhes. Primeiro, o texto não diz que Davi não sentia medo. Diz de onde vinha a sua confiança: de situações reais que ele já tinha atravessado no pasto, longe dos olhos de todos. Segundo, ele recusou a armadura de outra pessoa e usou o que sabia usar. Terceiro, ele contou com a autorização do rei e com o apoio dos que estavam ali. Não foi um gesto impensado.

A história trata de Davi, de Golias e da proteção de Deus a Israel. Relacioná-la ao nosso medo é uma aplicação para a nossa vida, não o assunto original do relato.

Compreendendo o ensinamento

A coragem de Davi não nasceu naquele dia. Foi construída nos dias que ninguém viu, cuidando das ovelhas, enfrentando o leão e o urso. Cada pequena vitória, cada livramento, foi se tornando memória, e essa memória virou confiança.

Em Salmos, capítulo vinte e sete, versículo um, o salmista escreve, em paráfrase editorial, que o Senhor é a sua luz e a sua salvação, e pergunta de quem ele terá medo, e que o Senhor é a força da sua vida, e de quem ele se recearia. É uma pergunta que mostra firmeza, e não ausência de gigantes.

E em Segunda Timóteo, capítulo um, versículo sete, Paulo escreve, em paráfrase editorial, que Deus não nos deu um espírito de medo, mas de força, de amor e de domínio próprio. Não é uma ordem para não sentir medo. É uma lembrança do que Deus coloca em nós para enfrentá-lo.

Esses textos não prometem que o gigante vai cair como caiu o de Davi, nem pedem que enfrentemos tudo sem medo. Mostram que a confiança pode ser construída e lembrada, e que ninguém precisa carregar a armadura dos outros.

Se o seu gigante é uma doença, um abuso, uma perda ou um medo que paralisa, procure ajuda. Nem todo gigante se enfrenta sozinho. Um médico, um psicólogo ou uma pessoa de confiança também podem ser as pedras na sua bolsa.

Quando o gigante parece grande

Comece dando nome ao gigante. Escreva, em uma frase, o que você teme. Dito com precisão, ele costuma perder um pouco do tamanho.

Depois, faça o que Davi fez: lembre os seus leões e ursos. Escreva três situações difíceis que você já atravessou e o que o ajudou. Essa lista é uma memória de que você não começa do zero. E escolha as suas pedras: as ferramentas que você tem e sabe usar, como uma conversa, um plano, uma ajuda profissional, uma oração. Não tente vestir a armadura de outra pessoa. Dê um passo de cada vez, com apoio.

Perguntas para refletir

Qual é o meu gigante hoje? Que leões e ursos eu já enfrentei e como saí deles? Que ferramentas eu tenho e sei usar? Quem pode caminhar comigo nesse enfrentamento?

Um passo para hoje

Escreva: “O meu gigante se chama…”, e abaixo três situações difíceis que você já atravessou. Escolha uma pedra, uma ação pequena e possível para esta semana, e leve tudo a Deus, em oração.

Momento de oração

Faça uma pausa diante de Deus. Perceba onde o medo mora no seu corpo, no peito, no estômago, nas mãos. Respire fundo e solte o ar devagar. Lembre uma situação em que você achou que não conseguiria e conseguiu. Fique alguns instantes em silêncio.

Você pode falar com Deus com suas próprias palavras. Se desejar, use esta oração como sugestão:

Senhor, há um gigante na minha vida, e ele parece maior do que eu. Tu conheces o nome dele e o medo que ele me causa. Hoje eu não vou fingir que ele é pequeno, mas também não quero deixar que ele me defina.

Lembra-me dos leões e dos ursos que já atravessei contigo. Mostra-me quais são as minhas pedras e ensina-me a não vestir armaduras que não são minhas. Põe ao meu lado pessoas que caminhem comigo. Dá-me força, amor e domínio próprio para o próximo passo. Agradeço-te porque tu estiveste comigo no pasto e estás comigo agora. Amém.

Continue sua jornada

Leia Primeiro Samuel, capítulo dezessete, versículos trinta e dois a cinquenta, na íntegra. Depois, leia Salmos, capítulo vinte e sete, versículos um a quatro, e Segunda carta a Timóteo, capítulo um, versículos seis a oito, para ver como a Bíblia fala de coragem e de confiança.

Sobre as citações bíblicas: as passagens citadas foram apresentadas em paráfrase editorial, conferida quanto ao sentido com edições de Almeida (1 Samuel 17, Salmos 27, 2 Timóteo 1). A história de Davi e Golias (1 Samuel 17:32–50) foi recontada em palavras próprias; o que o texto imagina ou interpreta está sinalizado ao longo da reflexão.

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