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Pai à porta de casa observa o filho que se afasta pela rua com uma mochila; no móvel ao lado, uma Bíblia aberta.
Comunicação e relacionamentos

Marcos 10:17–22

Amar um filho que escolhe diferente

Marcos, capítulo dez, versículos dezessete a vinte e dois, mostra alguém que pergunta o que fazer da vida, ouve uma proposta difícil e vai embora triste, e Jesus o olha com amor

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Todo pai e toda mãe sonha um caminho para os filhos. A faculdade certa, a profissão estável, o namoro que a gente aprova, a fé vivida do jeito que aprendemos. E um dia o filho escolhe outra coisa. O curso que não era o sonhado, a pessoa de quem a gente desconfia, a vida que a gente não entende, a fé que ele vive de outro modo. A dor de ver o filho tomar um rumo diferente é real.

A Palavra de Deus

Marcos, capítulo dez, versículo vinte e um, em paráfrase editorial:

Jesus olhou para ele, amou-o e disse: Falta uma coisa a você.

Marcos 10:21 · paráfrase editorial

O texto registra três ações de Jesus em sequência: olhou, amou e falou. Antes de qualquer palavra difícil, vem o amor.

O homem que foi embora triste

O relato está no evangelho de Marcos. Jesus seguia a caminho quando um homem correu até ele e se ajoelhou. Perguntou: bom Mestre, o que devo fazer para herdar a vida eterna?

Repare que ele corre e se ajoelha. Não era alguém indiferente. Era alguém que queria acertar, e a pergunta mostrava um coração inquieto.

Jesus respondeu lembrando os mandamentos. O homem disse: Mestre, tudo isso eu guardo desde a minha juventude. Era sincero. Tinha vivido de acordo com o que lhe ensinaram.

Foi então que o texto diz: Jesus olhou para ele, amou-o e disse: falta-lhe uma coisa. Vá, venda tudo o que tem, dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me.

O texto diz o que aconteceu em seguida. O homem ficou abatido com essas palavras e foi embora, triste, porque possuía muitas propriedades.

Jesus não correu atrás dele para negociar. Não mudou a proposta para agradá-lo. Também não o humilhou. O texto não conta o que aconteceu depois. Termina com um homem que se afasta e com um olhar que o amou.

Repare em três detalhes. Jesus disse a verdade com amor, sem diminuir o outro. Respeitou a escolha, mesmo triste. E o amor veio antes da exigência, e não depois da obediência.

A tradição costuma chamar esse homem de jovem rico, porque em outro evangelho ele aparece como jovem. Em Marcos, o texto fala da sua juventude, como algo que ficou para trás. Relacionar a cena aos filhos que escolhem diferente é uma aplicação para a nossa vida. A história trata do chamado de Jesus e do apego às riquezas, e não da relação entre pais e filhos.

Compreendendo o ensinamento

A cena mostra uma maneira de amar que pais e mães, muitas vezes, têm dificuldade de praticar: dizer a verdade sem impor, respeitar sem abandonar, amar sem controlar.

Hoje, as escolhas dos filhos que mais geram atrito são conhecidas: o curso ou a profissão, que o pai ou a mãe achou arriscada ou pouco prestigiada; o relacionamento, sobre o qual os pais têm dúvidas; os amigos; a forma de viver a fé ou de não vivê-la; o estilo de vida e de gastar o dinheiro; a decisão de sair de casa ou de ficar. Os pais reagem com ultimatos, com silêncio, com comparação, ou repetindo o mesmo argumento todos os dias. Quase sempre o efeito é o oposto do desejado: o filho se afasta.

É importante separar duas coisas. Uma é o risco real, como violência, drogas, relacionamento abusivo ou perigo para a vida e a saúde. Nesses casos, os pais não devem se calar: precisam agir, conversar, pedir ajuda e, se for preciso, proteger. Outra é a preferência: o que a gente imaginava para o filho e que ele não escolheu. Aí, o convite é a escuta e o respeito.

Em Primeira Coríntios, capítulo treze, versículo sete, Paulo escreve, em paráfrase editorial, sobre o amor que tudo suporta, tudo crê, tudo espera. Esperar é parte de amar.

E em Efésios, capítulo quatro, versículo dois, Paulo recomenda, em paráfrase editorial, que vivamos com humildade, mansidão e paciência, suportando uns aos outros em amor. Isso vale também em casa.

Esses textos não prometem que o filho vai mudar de caminho, nem pedem que os pais finjam que não sofrem. Mostram que o amor pode ser firme e paciente ao mesmo tempo, e que a porta pode permanecer aberta.

Se a distância entre você e o seu filho está causando muita dor, ou se o conflito cresceu ao ponto de ninguém mais conversar, considere buscar ajuda de um psicólogo ou terapeuta de família. Às vezes, uma terceira pessoa ajuda a falar o que não se diz sozinho.

Quando o filho escolhe diferente

Comece separando o sonho do caminho. Escreva o que você sonhava para ele e, ao lado, o que ele escolheu. Pergunte-se: o que dói, o risco ou a frustração? Reconhecer isso, por si só, já acalma.

Depois, diga a verdade com amor, uma vez, com clareza, sem ultimato nem comparações. Diga também o que você valoriza nele. E escute a resposta, sem rebater de imediato. Depois dessa conversa, mantenha os laços: refeições, mensagens, convites, interesse real pela vida dele, mesmo quando você discorda. E ore por ele. Deixe a porta aberta e lembre-se de que a história dele ainda está sendo escrita.

Perguntas para refletir

Qual era o meu sonho para o meu filho, e qual foi a escolha dele? O que me dói de verdade: o risco ou a frustração? O que eu já disse e posso deixar de repetir? Como posso manter a porta aberta?

Um passo para hoje

Escreva o seu sonho e a escolha do seu filho, lado a lado. Marque o que é risco real e o que é preferência. Escolha um gesto para esta semana que mostre a ele que você o ama, como um convite, uma mensagem ou um café, sem falar da escolha. Leve tudo a Deus, em oração.

Momento de oração

Faça uma pausa diante de Deus. Pense no seu filho e na escolha que ele fez, e perceba o que você sente: frustração, medo, tristeza, amor. Respire fundo e solte o ar devagar. Imagine Jesus olhando para o seu filho com amor, exatamente como ele é. Fique alguns instantes em silêncio.

Você pode falar com Deus com suas próprias palavras. Se desejar, use esta oração como sugestão:

Senhor, o meu filho escolheu um caminho que eu não imaginava. Tu conheces a minha dor, o meu medo e o meu sonho. Hoje eu o entrego a ti, com tudo o que eu esperava.

Ensina-me a dizer a verdade com amor, a respeitar o que não posso decidir e a esperar com paciência. Livra-me dos ultimatos e das comparações. Mantém aberta a porta entre nós e protege o meu filho dos riscos reais. Agradeço-te porque tu o amas ainda mais do que eu. Amém.

Continue sua jornada

Leia Marcos, capítulo dez, versículos dezessete a vinte e dois, na íntegra. Depois, leia Primeira Coríntios, capítulo treze, e Efésios, capítulo quatro, versículos um a seis, para ver como a Bíblia fala de um amor paciente.

Sobre as citações bíblicas: as passagens citadas foram apresentadas em paráfrase editorial, conferida quanto ao sentido com edições de Almeida (Marcos 10, 1 Coríntios 13, Efésios 4). O relato bíblico foi recontado em palavras próprias; o que o texto imagina ou interpreta está sinalizado ao longo da reflexão.

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