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Homem sentado numa cadeira de corredor de hospital, à noite, segura nas mãos uma pequena peça de roupa; ao lado, uma Bíblia aberta.
Inteligência emocional

Marcos 5:21–43

Quando o medo é de perder quem amamos

Marcos, capítulo cinco, versículos vinte e um a quarenta e três, mostra um pai que corre atrás de ajuda para a filha, ouve a pior notícia e recebe uma palavra de Jesus no meio do medo

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Existe um medo que pesa mais do que os outros: o de perder alguém que amamos. Pode ser um filho, um pai, uma esposa, um amigo. Ele chega num telefonema, num exame, num silêncio demorado. A mente corre para o pior, o corpo trava, e cada minuto de espera parece uma hora. Se você já sentiu isso, a Bíblia conhece esse lugar.

A Palavra de Deus

Marcos, capítulo cinco, versículo trinta e seis, em paráfrase editorial:

Não tenha medo. Apenas creia.

Marcos 5:36 · paráfrase editorial

Jesus diz isso a Jairo no instante em que a pior notícia chega, e não depois. É uma palavra para quem ainda está dentro do medo.

Jairo corre atrás de ajuda

O relato está no evangelho de Marcos. Jesus havia atravessado o mar, e uma grande multidão o esperava na margem. Entre as pessoas, um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo, abriu caminho e se jogou aos pés de Jesus. Pediu com insistência: a minha filhinha está à morte. Venha pôr as mãos sobre ela, para que ela viva.

Jesus foi com ele. Mas a multidão o apertava de todos os lados, e a caminhada ficou lenta. Imagine o coração de Jairo. Cada passo era devagar demais.

Então, no meio do caminho, Jesus parou. Uma mulher que sofria de hemorragia havia doze anos tinha tocado na roupa dele, e ficou curada. Jesus perguntou quem o havia tocado. Os discípulos estranharam, porque havia gente por todos os lados. A mulher, com medo e tremendo, se aproximou e contou tudo. Jesus a chamou de filha e disse que a fé dela a havia salvado, que fosse em paz.

Pense em Jairo, ali, esperando. Tudo o que ele queria era que Jesus continuasse a andar. O texto não descreve o que ele sentia, mas é fácil imaginar o aperto de ver o tempo escorrer.

E foi nesse momento que chegaram pessoas da casa dele. Disseram: a sua filha morreu. Para que incomodar mais o Mestre?

É a notícia que todo pai teme. E Jesus, ouvindo o que disseram, olhou para Jairo e disse: não tenha medo, apenas creia.

Jesus deixou a multidão e levou consigo só Pedro, Tiago e João. Ao chegarem à casa de Jairo, havia barulho, choro e lamento. Jesus disse que a menina não estava morta, que apenas dormia. Alguns riram dele.

Jesus mandou que todos saíssem e entrou no quarto com os pais da menina e os três discípulos. Segurou a mão da criança e disse, em aramaico: Talita cumi, que significa, menina, levante-se. Ela se levantou na hora e começou a andar. Tinha doze anos. Todos ficaram admirados. Jesus pediu que ninguém soubesse do ocorrido e mandou que dessem comida à menina.

Repare em três detalhes. A palavra de Jesus não veio depois que o medo passou, e sim no meio dele. Jairo não precisou fingir coragem: ele só precisou continuar a caminhar. E, quando tudo parecia perdido, Jesus entrou na casa com os pais, ficou perto e segurou a mão da menina.

A história trata de Jairo, da sua filha e do poder de Jesus sobre a morte. Relacioná-la ao nosso medo de perder quem amamos é uma aplicação para a nossa vida, não o assunto original do relato.

Compreendendo o ensinamento

Nem todas as histórias terminam como a de Jairo. Muitas famílias vivem outro desfecho, e a Bíblia sabe disso. O texto não explica por que algumas pessoas recebem esse milagre e outras não, e não diz que quem perdeu alguém teve menos fé. Antes de tudo, o relato nos mostra que o medo de perder é humano, e que Jesus se aproxima de quem o sente.

Em Isaías, capítulo quarenta e um, versículo dez, Deus diz ao seu povo, em paráfrase editorial, que não tenha medo porque ele está presente, que não se assuste, porque ele é Deus, e que ele fortalece, ajuda e sustenta. É uma promessa de companhia, e não de ausência de perdas.

E em Salmos, capítulo quarenta e seis, versículo um, o salmista escreve, em paráfrase editorial, que Deus é o nosso refúgio e a nossa força, uma ajuda sempre presente na angústia.

Esses textos não garantem que o que tememos não vai acontecer. Garantem que não estaremos sozinhos, e que há um refúgio quando o medo vier.

Se o medo de perder alguém tem tirado o seu sono, ou se você já passou por uma perda e está carregando o luto, procure acolhimento. Um psicólogo, um grupo de apoio, alguém de confiança. E, se o desespero chegar a ponto de pensar em desistir da vida, ligue para o Centro de Valorização da Vida pelo cento e oitenta e oito, gratuito e a qualquer hora.

Quando o medo é de perder

Comece nomeando o seu medo, em voz alta ou no papel: tenho medo de perder fulano. Dito com clareza, o medo deixa de ser um barulho solto na cabeça.

Depois, faça o que Jairo fez: corra atrás de ajuda, sem esperar estar pronto. Procure quem pode cuidar, ouvir, acompanhar. E, enquanto espera, reduza o tamanho do tempo: o que cabe fazer hoje? Uma visita, uma ligação, uma palavra de carinho, um abraço. Medo de perder costuma pedir mais presença. Se você está esperando uma resposta ou um resultado, escolha uma pessoa para esperar junto com você.

Perguntas para refletir

Quem eu tenho medo de perder? O que, hoje, eu posso fazer por essa pessoa? Com quem eu posso dividir esse medo? Se eu pudesse dizer uma coisa a ela hoje, o que seria?

Um passo para hoje

Escreva: “Eu tenho medo de perder…” e abaixo: “Hoje, eu posso…”. Escolha um gesto de presença, uma ligação, uma visita ou uma palavra, e faça-o hoje. Depois, leve o seu medo a Deus, em oração.

Momento de oração

Faça uma pausa diante de Deus. Pense na pessoa que você tem medo de perder. Perceba o que o seu corpo sente: o aperto no peito, a respiração curta. Respire fundo e solte o ar devagar. Imagine Jesus ao seu lado, como esteve ao lado de Jairo. Fique alguns instantes em silêncio.

Você pode falar com Deus com suas próprias palavras. Se desejar, use esta oração como sugestão:

Senhor, eu tenho medo de perder quem eu amo. Tu conheces o nome dessa pessoa e o tamanho do meu aperto. Hoje eu não vou fingir que estou em paz. Venho a ti como Jairo veio: com urgência e sem palavras bonitas.

Fica perto de mim e fica perto dela. Dá-me presença para cuidar, coragem para esperar e um refúgio para quando o medo vier. Se eu precisar de ajuda, mostra-me a quem procurar. Segura a nossa mão, como seguraste a da menina. Agradeço-te porque tu estás presente na angústia. Amém.

Continue sua jornada

Leia Marcos, capítulo cinco, versículos vinte e um a quarenta e três, na íntegra. Depois, leia Isaías, capítulo quarenta e um, versículos dez a treze, e Salmos, capítulo quarenta e seis, versículos um a três, para ver como a Bíblia fala de refúgio e de companhia no medo.

Sobre as citações bíblicas: as passagens citadas foram apresentadas em paráfrase editorial, conferida quanto ao sentido com edições de Almeida (Marcos 5, Isaías 41, Salmos 46). A história de Jairo e sua filha (Marcos 5:21–43) foi recontada em palavras próprias; o que o texto imagina ou interpreta está sinalizado ao longo da reflexão.

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