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Mulher de terno, com a mão no peito, respira fundo diante da porta de vidro de uma sala de reuniões; num banco ao lado, uma Bíblia aberta.
Inteligência emocional

Ester 4:8–5:2

Quando falar dá medo

Ester, capítulo quatro, versículo oito, até o capítulo cinco, versículo dois, mostra uma rainha que sabe que falar pode custar a vida, pede o apoio dos outros e decide ir assim mesmo

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Há momentos em que falar dá medo. Dizer uma verdade difícil, pedir ajuda, colocar um limite, discordar de alguém importante, defender quem não tem voz. O coração acelera, a garganta aperta, e uma lista de perguntas surge: e se eu perder o emprego, a amizade, a reputação? E se disserem que eu estou errado? Muitas vezes, o silêncio parece mais seguro. Mas ele também tem o seu preço.

A Palavra de Deus

Ester, capítulo quatro, versículo catorze, em paráfrase editorial:

Quem sabe se você não chegou ao reino justamente para um tempo como este?

Ester 4:14 · paráfrase editorial

Quem diz essas palavras é Mardoqueu, e ele as diz a uma mulher assustada. Não é uma ordem. É uma pergunta que convida a olhar a própria vida com outros olhos.

Ester diante do rei

O relato está no livro de Ester. Ester era uma jovem judia que havia se tornado rainha da Pérsia. Poucos sabiam da sua origem. Quando um decreto determinou a destruição de todos os judeus do reino, Mardoqueu, que a havia criado, mandou lhe dizer que fosse ao rei pedir pelo seu povo.

Ester respondeu com franqueza. Disse que havia uma lei no reino: quem entrasse no pátio interior sem ser chamado seria condenado à morte, a menos que o rei estendesse o cetro de ouro. E ela não era chamada pelo rei havia trinta dias. Ou seja, não era um pedido simples. Ela estava com medo, e tinha razões.

Mardoqueu insistiu. Disse que ela não escaparia só por estar no palácio, que o socorro viria de outro lugar, mas que ela e a família do pai pereceriam. E perguntou: quem sabe se você não chegou ao reino justamente para um tempo como este?

O texto não descreve o que Ester sentiu depois dessas palavras. Mas a resposta dela mostra uma mudança. Ela pediu a Mardoqueu que reunisse todos os judeus de Susã e que jejuassem por ela, sem comer nem beber por três dias. Ela e as suas servas fariam o mesmo. E acrescentou: então irei ao rei, ainda que não seja segundo a lei. Se eu perecer, perecerei.

Repare no que Ester não faz. Não finge que não tem medo e não se lança sem preparo. Pede o apoio de outras pessoas, reserva três dias de espera e, só depois, decide agir.

No terceiro dia, Ester se vestiu com as roupas reais e se pôs no pátio interior, diante do aposento do rei. O rei estava sentado no trono. Quando viu a rainha no pátio, ela achou graça aos olhos dele, e ele estendeu o cetro de ouro. Ester se aproximou e tocou a ponta do cetro.

A cena termina aí. O pedido de Ester, o que acontece depois e o desfecho para o povo estão nos capítulos seguintes. Esta reflexão fica no momento em que a rainha dá o passo.

A história trata de Ester, de Mardoqueu e da sobrevivência do povo judeu na Pérsia. Relacioná-la ao nosso medo de falar é uma aplicação para a nossa vida, não o assunto original do relato.

Compreendendo o ensinamento

Falar com coragem não é falar sem medo. A coragem de Ester começou com a admissão do risco e se tornou ação com apoio, preparo e decisão. Não foi um impulso. Foi um caminho.

Em Provérbios, capítulo vinte e nove, versículo vinte e cinco, o sábio diz, em paráfrase editorial, que o medo do que os outros pensam arma armadilhas, mas quem confia no Senhor está seguro. O medo da opinião alheia pode nos manter presos a uma vida em silêncio.

E em Josué, capítulo um, versículo nove, Deus diz, em paráfrase editorial, que sejamos fortes e corajosos, que não nos apavoremos nem desanimemos, porque ele estará conosco por onde formos.

Esses textos não prometem que falar vai ser bem recebido, nem que não haverá consequências. Mostram que o medo de falar pode ser enfrentado com apoio, com sabedoria e com a certeza de que não estamos sozinhos.

Um cuidado importante: nem toda hora é hora de falar, e nem toda situação é segura. Se falar coloca a sua segurança em risco, como em uma relação com violência, procure um canal seguro e pessoas que possam apoiar. Em risco imediato, ligue para o cento e noventa. E, se o medo de falar tem paralisado a sua vida, procurar um psicólogo é um passo de coragem.

Quando falar dá medo

Comece escrevendo o que você precisa dizer, em uma ou duas frases simples. Muitas vezes, o medo cresce porque o que falta dizer fica solto na cabeça.

Depois, faça como Ester: não vá sem apoio. Escolha uma ou duas pessoas de confiança e conte o que vai fazer. Peça que orem por você, que o ouçam ou que o acompanhem. E dê um tempo ao preparo. Pense no momento, no lugar e na forma. Ensaie. Quem fala com clareza e respeito costuma ser mais bem ouvido. Depois, dê o passo. Você não precisa estar sem medo. Basta ir.

Perguntas para refletir

O que eu preciso dizer e tenho adiado? O que eu temo perder se falar? E o que eu perco se continuar calado? Quem pode me apoiar nesse passo?

Um passo para hoje

Escreva o que você precisa dizer em duas frases. Depois, escolha uma pessoa de confiança, conte o que escreveu e peça apoio. Leve as frases a Deus, em oração, e defina quando e como você vai falar.

Momento de oração

Faça uma pausa diante de Deus. Pense no que você precisa dizer e perceba o medo que isso desperta, na garganta, no peito, nas mãos. Respire fundo e solte o ar devagar. Imagine que você tem companhia, como Ester tinha, com aqueles que jejuavam por ela. Fique alguns instantes em silêncio.

Você pode falar com Deus com suas próprias palavras. Se desejar, use esta oração como sugestão:

Senhor, há algo que eu preciso dizer, e o medo me trava. Tu conheces o que eu temo perder e o que já estou perdendo por ficar calado. Hoje eu não vou fingir que isso é fácil.

Dá-me clareza para saber o que dizer, sabedoria para saber quando e como, e coragem para dar o passo. Põe ao meu lado pessoas que me apoiem. Livra-me do medo do que os outros pensam e ensina-me a confiar em ti. Agradeço-te porque tu estás comigo por onde eu for. Amém.

Continue sua jornada

Leia Ester, capítulo quatro, versículo oito, até o capítulo cinco, versículo dois, na íntegra. Depois, leia Provérbios, capítulo vinte e nove, versículos vinte e cinco e vinte e seis, e Josué, capítulo um, versículos seis a nove, para ver como a Bíblia une coragem e presença de Deus.

Sobre as citações bíblicas: as passagens citadas foram apresentadas em paráfrase editorial, conferida quanto ao sentido com edições de Almeida (Ester 4, Ester 5, Provérbios 29, Josué 1). A história de Ester diante do rei (Ester 4:8–5:2) foi recontada em palavras próprias; o que o texto imagina ou interpreta está sinalizado ao longo da reflexão.

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