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Homem sentado à mesa cobre o rosto com as mãos; à frente, um copo de água e um envelope.
Inteligência emocional

Provérbios 23:29–35

Quando a bebida passa do limite

Provérbios, capítulo vinte e três, versículos vinte e nove a trinta e cinco, descreve em perguntas e imagens o que a bebida faz com quem a procura de novo e de novo

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Beber é comum, e para muita gente é uma parte tranquila de encontros e de celebrações. Mas para outras pessoas, a bebida passa de um ponto, e deixa de ser uma escolha. Começa a ocupar o centro: a primeira coisa que se pensa pela manhã, a conta que se esconde, as promessas de parar que não se cumprem, o ressentimento da família, o trabalho ameaçado. Quem vive isso muitas vezes sente vergonha, e quem convive com essa pessoa sente medo, raiva e cansaço. O livro de Provérbios tem um retrato antigo disso, dito sem rodeios e sem crueldade.

A Palavra de Deus

Efésios, capítulo cinco, versículo dezoito, em paráfrase editorial:

Não se embriaguem com vinho, no qual há perdição, mas sejam cheios do Espírito.

Efésios 5:18 · paráfrase editorial

Paulo não proíbe de modo geral a convivência com a bebida, adverte contra a embriaguez e sugere outra fonte de plenitude. A frase fala de perda de controle.

O retrato

O texto é um poema de sabedoria, uma série de perguntas e respostas, e não um relato com personagens. Mesmo assim, ele desenha uma pessoa com precisão.

Começa com seis perguntas, uma atrás da outra: para quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem as brigas? Para quem as queixas? Para quem as feridas sem motivo? Para quem os olhos vermelhos?

A resposta vem em seguida: para os que se demoram no vinho, para os que andam à procura de bebida misturada. Em poucas linhas, o texto reúne o que costuma acontecer: sofrimento, culpa, conflitos em casa, ferimentos que ninguém sabe explicar, o aspecto do corpo.

Depois vem uma advertência: não olhe para o vinho quando ele está vermelho, quando brilha no copo, quando desce suave. Parece bonito e inofensivo. Mas, no fim, ele morde como a cobra e envenena como a serpente venenosa.

O poema diz o que acontece com a pessoa: os seus olhos verão coisas estranhas, e o seu coração dirá palavras desordenadas. Será como quem se deita no meio do mar, ou no alto de um mastro, num lugar instável, sem segurança.

E termina com a fala de alguém que está nesse ciclo, em primeira pessoa: me bateram, e eu não senti. Me machucaram, e eu não percebi. Quando eu vou acordar? Eu voltarei a procurá-lo.

Repare em quatro detalhes. O poema não começa com uma acusação, começa com perguntas que reconhecem o sofrimento. Ele descreve consequências no corpo, na família, na fala e na segurança. A última fala, a de quem diz que voltará a procurar, mostra a força do ciclo: a pessoa sabe e volta. E o texto não faz um sermão, descreve.

Este é um poema de sabedoria, que descreve a embriaguez de modo geral, e não trata especificamente de dependência como condição de saúde, um conceito moderno. Aplicá-lo ao alcoolismo e a outras dependências é uma aplicação para a nossa vida, não o assunto original do texto.

Compreendendo o ensinamento

O retrato ajuda a reconhecer sinais, e a última fala mostra o que a medicina hoje descreve: a dependência é um padrão em que a pessoa continua usando apesar dos prejuízos, e sente dificuldade de parar, mesmo querendo. Não é só falta de vontade. É uma condição de saúde, que envolve o cérebro, o corpo, as emoções e o ambiente. E, como outras condições, tem tratamento.

Alguns sinais que costumam indicar que a bebida passou do limite: beber mais do que se planejava, tentar reduzir e não conseguir, esconder ou mentir sobre o consumo, sentir necessidade de beber para se sentir normal, prejuízos no trabalho, na saúde ou nos relacionamentos, deixar atividades de lado, continuar mesmo com problemas. Isso não é um diagnóstico: só um profissional avalia. Mas, se vários desses sinais aparecem, vale procurar ajuda.

Quem quer parar deve saber de algo importante: parar de beber de uma vez, depois de muito tempo de uso frequente, pode causar sintomas de abstinência que, em alguns casos, são graves e perigosos. Por isso, não interrompa por conta própria um consumo intenso e prolongado: procure antes um médico, uma unidade de saúde ou um CAPS AD, o Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e outras Drogas, onde o tratamento é gratuito. Em caso de confusão, tremores intensos, alucinações ou convulsão, procure atendimento de urgência: o Samu, cento e noventa e dois.

Existem caminhos de apoio: acompanhamento médico e psicológico, o CAPS AD, grupos de ajuda mútua, como Alcoólicos Anônimos, e, para familiares, grupos como o Al-Anon. Cada pessoa responde de um jeito, e muita gente precisa de mais de uma tentativa. Recaídas são comuns e não significam fracasso.

Se você convive com alguém que bebe demais, algumas ideias. Você não é culpado, e também não é o responsável por controlar a bebida do outro. Conversar com calma, em um momento sem álcool, usando fatos e expressando cuidado, costuma ajudar mais do que cobrar ou ameaçar. Oferecer ajuda concreta, como acompanhar a uma consulta, é diferente de resolver os problemas no lugar da pessoa. Colocar limites é cuidado: não aceitar violência, não mentir por ela, proteger crianças e a si mesmo. Cuidar de você importa: busque apoio, converse com alguém, considere um grupo para familiares. Se há violência, o Ligue cento e oitenta atende mulheres, e o cento e noventa chama a polícia.

Se você mesmo bebe demais, saiba que pedir ajuda não é fraqueza, e que a culpa, sozinha, costuma alimentar o ciclo. Em Efésios, Paulo fala de ser cheio do Espírito como uma outra fonte de plenitude. Ela não substitui o tratamento: fé e tratamento andam juntos.

Se a vergonha, a culpa ou o desespero vêm junto, e surgirem pensamentos de desistir da vida, procure ajuda agora: o Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente, a qualquer hora, pelo telefone cento e oitenta e oito.

Quando a bebida passa do limite

Se você bebe demais, faça uma conta honesta: quanto, com que frequência, o que mudou. Conte a uma pessoa de confiança. Marque uma consulta ou procure um CAPS AD. Não pare de repente se o consumo era intenso e prolongado: converse antes com um médico.

Se você convive com alguém que bebe demais, escolha um momento calmo e fale de um fato e de um sentimento: eu me preocupo com você. Procure apoio para você também.

Perguntas para refletir

Como a bebida tem aparecido na minha vida ou na de quem eu amo? O que mudou nos últimos meses? Quem eu poderia procurar para conversar? O que eu preciso para me cuidar nesse processo?

Um passo para hoje

Anote a quantidade e a frequência do uso, sem se julgar. Conte a uma pessoa de confiança. Procure um serviço de saúde ou um CAPS AD e marque uma conversa. Se você convive com alguém, procure um grupo de apoio para familiares. Depois, leve tudo a Deus, em oração.

Momento de oração

Faça uma pausa diante de Deus. Perceba o peso da vergonha, do medo ou do cansaço. Respire fundo e solte o ar devagar. Diga, com sinceridade, o que é difícil dizer. Fique alguns instantes em silêncio.

Você pode falar com Deus com suas próprias palavras. Se desejar, use esta oração como sugestão:

Senhor, a bebida passou do limite na minha vida, ou na vida de alguém que eu amo, e isso machuca a todos. Tu conheces a vergonha, o medo e o cansaço. Não quero me esconder.

Dá-me coragem para procurar ajuda e humildade para aceitá-la. Protege quem está em risco e dá forças a quem convive. Livra-me da culpa que só alimenta o ciclo e põe ao meu lado pessoas e profissionais que me acompanhem. Agradeço-te porque, para ti, ninguém está além do recomeço. Amém.

Continue sua jornada

Leia Provérbios, capítulo vinte e três, versículos vinte e nove a trinta e cinco, na íntegra. Depois, leia Efésios, capítulo cinco, versículos quinze a vinte, e Salmos, capítulo cento e sete, versículos dezessete a vinte e dois, para ver como a Bíblia fala de quem clama e é socorrido.

Sobre as citações bíblicas: as passagens citadas foram apresentadas em paráfrase editorial, conferida quanto ao sentido com edições de Almeida (Provérbios 23, Efésios 5). O relato bíblico foi recontado em palavras próprias; o que o texto imagina ou interpreta está sinalizado ao longo da reflexão.

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