Pular para o conteúdo
Mulher de pé junto a uma porta, com o olhar firme e sério voltado para fora, à luz do fim de tarde.
Inteligência emocional

João 2:13–17

A raiva que protege

João, capítulo dois, versículos treze a dezessete, mostra Jesus indignado diante de uma injustiça e ajuda a distinguir a raiva que fere da raiva que protege

Ouça este ensinamento

Narração completa

0:00--:--

5 min de leitura

Nem toda raiva é um defeito. Há raiva que nasce de amar alguém e de ver essa pessoa sendo tratada com injustiça. Há indignação que surge diante de uma mentira que machuca, de um abuso, de um aproveitamento. E, às vezes, quem tenta ser bom se pergunta: será errado eu sentir isso? A Bíblia tem uma cena que ajuda a responder.

A Palavra de Deus

João, capítulo dois, versículo dezesseis, em paráfrase editorial:

Tirem estas coisas daqui. Não façam da casa do meu Pai uma casa de comércio.

João 2:16 · paráfrase editorial

A indignação de Jesus tem um motivo claro e um alvo claro. Ele não a dirige a uma pessoa por vingança, mas contra o que estava desfigurando aquele lugar.

Jesus no templo

O relato está no evangelho de João. Estava perto da Páscoa, a grande festa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. Ao entrar no templo, encontrou ali homens vendendo bois, ovelhas e pombas, e cambistas sentados às suas mesas.

Imagine a cena. Um lugar feito para a oração, tomado por barulho, animais e negócios. É fácil perceber que, para quem ia ao templo buscar a Deus, aquele ambiente podia ser um peso. Os pombos, por exemplo, costumavam ser a oferta possível para quem tinha pouco.

Jesus fez um chicote de cordas. O texto menciona esse detalhe, e ele mostra que não foi um gesto sem pensar. Com o chicote, expulsou todos do templo, com as ovelhas e os bois. Espalhou o dinheiro dos cambistas e derrubou as suas mesas. E, aos que vendiam pombas, disse que tirassem aquilo dali e que não fizessem da casa do seu Pai uma casa de comércio.

Os discípulos, que estavam ali, lembraram-se de uma frase da Escritura: o zelo pela tua casa me consome.

Repare numa palavra. O texto não usa raiva. Fala de zelo, um cuidado ardente por algo que importa. A cena mostra indignação, e o motivo é o cuidado.

A história trata de Jesus, do templo e da sua autoridade. Relacioná-la à raiva que sentimos é uma aplicação para a nossa vida, não o assunto original do relato. E é preciso cuidado: a cena não autoriza explosões. Mostra uma indignação com motivo, com alvo e com propósito.

Compreendendo o ensinamento

A cena de Jesus ajuda a distinguir dois tipos de raiva. Uma nasce do nosso orgulho, da nossa pressa, do nosso cansaço, e costuma ferir quem está perto. Outra nasce do cuidado com algo ou alguém, e se volta contra a injustiça. A primeira quer ganhar. A segunda quer proteger.

Em Salmos, capítulo quatro, versículo quatro, o salmista escreve, em paráfrase editorial, que, mesmo perturbados, não devemos pecar, mas refletir no coração, ao nos deitarmos, e ficar em silêncio. A raiva, mesmo justa, pede um tempo de reflexão.

E em Romanos, capítulo doze, versículo vinte e um, Paulo escreve, em paráfrase editorial, que não devemos nos deixar vencer pelo mal, mas vencer o mal com o bem. Isso significa que a indignação precisa ter uma direção boa, como defender alguém, corrigir uma situação ou denunciar um abuso, em vez de devolver o mal.

Esses textos não autorizam gritar, ofender ou se vingar em nome da justiça. Mostram que a indignação pode ser uma força para proteger, desde que seja examinada e dirigida ao bem. Se a sua raiva é frequente, intensa ou faz você ferir pessoas, procure um psicólogo. E, se você enfrenta violência ou abuso, procure ajuda: em risco imediato, ligue para o cento e noventa.

Quando a raiva quer proteger

Comece perguntando: essa raiva é sobre uma injustiça contra alguém, ou sobre o meu orgulho? Se for sobre orgulho, vale deixar passar. Se for sobre injustiça, vale examinar mais um pouco: o que, exatamente, está errado, e quem está sendo ferido?

Depois, dê um tempo ao coração, como diz o salmo, e escolha uma ação concreta e justa. Pode ser conversar com quem causa o dano, apoiar quem sofre, denunciar a quem de direito ou colocar um limite claro. O alvo é o mal, e não a pessoa. E lembre-se de que quem luta contra a injustiça também precisa descansar, para que o zelo não vire amargura.

Perguntas para refletir

Essa raiva tem a ver com uma injustiça contra alguém ou com o meu orgulho? Quem está sendo ferido? Que ação justa e concreta eu posso tomar? O que preciso fazer para não me deixar consumir?

Um passo para hoje

Escolha uma situação que tem despertado a sua indignação. Escreva duas frases: “O que está errado aqui é…” e “A ação justa que posso tomar é…”. Antes de agir, deixe passar uma noite e leve as duas frases a Deus, em oração.

Momento de oração

Faça uma pausa diante de Deus. Perceba o que tem despertado a sua indignação e quem você quer proteger. Respire fundo e solte o ar devagar. Entregue a Deus tanto o que é justo quanto o que é orgulho. Fique alguns instantes em silêncio.

Você pode falar com Deus com suas próprias palavras. Se desejar, use esta oração como sugestão:

Senhor, há coisas que me indignam, e eu quero saber se a minha raiva vem do amor ou do orgulho. Tu vês o que está errado e quem está sendo ferido. Examina o meu coração, como pede o salmista, e mostra-me a diferença.

Dá-me zelo sem violência e firmeza sem vingança. Ensina-me a defender quem precisa de defesa, a falar a verdade com respeito e a vencer o mal com o bem. Protege-me de ser consumido pela amargura. E dá-me descanso, para que eu continue a cuidar. Agradeço-te porque tu te importas com a justiça. Amém.

Continue sua jornada

Leia João, capítulo dois, versículos treze a vinte e dois, na íntegra. Depois, leia Salmos, capítulo quatro, versículos um a oito, e Romanos, capítulo doze, versículos dezessete a vinte e um, para ver como a Bíblia une justiça, domínio de si e bondade.

Sobre as citações bíblicas: João 2:16, Salmos 4:4 e Romanos 12:21 foram apresentados em paráfrase editorial, conferida quanto ao sentido com a Almeida 1911 (João 2, Salmos 4, Romanos 12). A cena de Jesus no templo (João 2:13–17) foi recontada em palavras próprias; o texto bíblico fala de zelo, e a leitura como indignação é interpretação, sinalizada no texto.

Enviar no WhatsApp

Outros ensinamentos