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Mulher à porta de casa, com as chaves na mão e a bolsa no ombro, olha para trás em direção a uma reunião iluminada; no aparador, uma Bíblia aberta.
Produtividade e excelência

Lucas 14:15–24

As boas desculpas

Lucas, capítulo catorze, versículos quinze a vinte e quatro, mostra convidados que recusam um banquete com desculpas razoáveis, e um convite que continua aberto

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Quase ninguém adia por maldade. A gente adia com boas razões. A semana está cheia, o dia foi puxado, ainda preciso resolver aquilo antes, depois do mês que vem eu começo. As desculpas costumam ser verdadeiras, e é por isso que enganam tão bem. Quando percebemos, o que era importante virou um peso na consciência, e a vergonha de não ter feito ainda atrapalha mais do que a tarefa em si.

A Palavra de Deus

Lucas, capítulo catorze, versículo dezessete, em paráfrase editorial:

Venham, porque tudo já está preparado.

Lucas 14:17 · paráfrase editorial

Essas palavras são o aviso do servo aos convidados, na hora do banquete. O convite estava pronto. O que faltava era a resposta de quem o recebeu.

O banquete e as desculpas

O relato está no evangelho de Lucas. Jesus estava à mesa com outras pessoas, e um dos presentes comentou: feliz é quem comer pão no Reino de Deus. Jesus respondeu com uma parábola.

Um homem preparou uma grande ceia e convidou muita gente. Na hora de começar, enviou um servo para avisar: venham, porque tudo já está pronto.

Foi então que os convidados começaram a se desculpar, todos, um após o outro. O primeiro disse: comprei um campo e preciso ir vê-lo. Peço que me desculpe. O segundo disse: comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las. Peço que me desculpe. O terceiro disse: acabei de me casar, e por isso não posso ir.

Repare nessas desculpas. Nenhuma é absurda. Comprar um campo, testar uma ferramenta de trabalho, casar são coisas boas, importantes, legítimas. Mas há um detalhe: o campo já estava comprado, e os bois já estavam nas mãos do dono. Ver o campo e experimentar os bois podia esperar um dia. O convite, naquela hora, não.

O servo voltou e contou tudo ao seu senhor. O dono da casa ficou indignado. Mas o texto não termina com a raiva. Ele mandou o servo sair pelas ruas e becos da cidade e trazer os pobres, os aleijados, os cegos e os mancos. O servo cumpriu a ordem e voltou: senhor, está feito o que mandaste, e ainda há lugar.

O dono mandou então que o servo fosse pelos caminhos e cercas e insistisse com todos que encontrasse, para que a casa ficasse cheia. E concluiu que nenhum dos primeiros convidados provaria a sua ceia.

Repare em quatro detalhes. O banquete aconteceu, com ou sem os primeiros convidados. As desculpas eram de coisas boas, e não de coisas ruins. O convite saiu da lista inicial e chegou a quem menos se esperava. E o servo ainda disse: há lugar.

A parábola trata do convite de Deus ao seu Reino e das desculpas que impedem de aceitá-lo. Relacioná-la ao hábito de adiar o que é importante é uma aplicação para a nossa vida, não o assunto original do relato.

Compreendendo o ensinamento

O relato ajuda a enxergar um tipo de procrastinação difícil de perceber: aquela que se esconde atrás de coisas boas. Não deixamos de fazer o importante por vagabundagem, mas porque o urgente, o confortável e o legítimo vão ocupando o espaço.

Hoje, as desculpas têm outras formas. Estou sem tempo. Estou sem energia. Ainda não é o momento. Preciso me organizar primeiro. Vou começar na segunda-feira. O celular, as notificações e a rolagem infinita ajudam a tornar tudo mais fácil de adiar, porque sempre há algo mais interessante e menos desconfortável do que a tarefa que pesa. Muita gente adia a consulta médica, a conversa difícil, o estudo, a organização das contas, o pedido de desculpas, o recomeço da oração.

Há também a vergonha. Quanto mais adiamos, mais difícil fica recomeçar, e a vergonha vira mais uma desculpa: agora é tarde. A parábola mostra o contrário: depois da recusa, o convite não foi cancelado. Ainda havia lugar.

Em Provérbios, capítulo vinte, versículo quatro, o sábio diz, em paráfrase editorial, que o preguiçoso não ara por causa do inverno, e por isso mendigará na colheita e nada receberá. A desculpa do frio pode até ser verdadeira. O resultado é que o campo fica sem semente.

E em Romanos, capítulo doze, versículo onze, Paulo escreve, em paráfrase editorial, que não devemos ser negligentes no zelo, mas fervorosos no Espírito, servindo ao Senhor. Fervor não é pressa, e sim cuidado constante.

Esses textos não tratam toda recusa como desculpa. Há limites reais, como doença, cuidado com alguém, luto, falta de recursos. E nem todo cansaço é preguiça. O que os textos pedem é honestidade: perguntar se o motivo é um limite verdadeiro ou uma desculpa bem arrumada.

Se você sente que não consegue começar nada há muito tempo, que tudo pesa ou que a vontade sumiu, procure um médico ou psicólogo. Isso pode ter causas que a força de vontade sozinha não resolve.

Quando a desculpa é boa demais

Comece perguntando qual é a desculpa que você mais usa. Escreva-a. Depois, pergunte: ela é um limite real ou uma saída? Dar nome à desculpa tira parte do poder dela.

Em seguida, escolha uma coisa importante que você adiou e reduza-a a um primeiro passo de dez minutos: abrir o arquivo, ligar para marcar a consulta, escrever a primeira frase. Escolha o dia e a hora e avise alguém. Tire do caminho o que atrapalha, como o celular longe e a aba aberta fechada. E, se a vergonha de ter adiado for grande, lembre-se de que o convite ainda está de pé. Começar tarde continua sendo começar.

Perguntas para refletir

Qual é a minha desculpa mais frequente? O que eu venho adiando e que, no fundo, é importante? Qual é o menor primeiro passo possível? A quem eu posso contar o que vou fazer?

Um passo para hoje

Escolha uma coisa que você tem adiado e escreva o primeiro passo de dez minutos. Defina quando e onde vai fazê-lo e conte a alguém. Faça hoje, nem que seja só isso. Leve o passo a Deus, em oração.

Momento de oração

Faça uma pausa diante de Deus. Pense no que você vem adiando e perceba o que sente: culpa, cansaço, vergonha, medo. Respire fundo e solte o ar devagar. Imagine uma mesa posta e uma cadeira vazia com o seu nome. Fique alguns instantes em silêncio.

Você pode falar com Deus com suas próprias palavras. Se desejar, use esta oração como sugestão:

Senhor, eu tenho muitas boas razões para adiar. Tu conheces as minhas desculpas e o cansaço que há por trás delas. Hoje eu quero falar a verdade, a mim e a ti.

Mostra-me o que é limite verdadeiro e o que é desculpa. Dá-me coragem para dar o primeiro passo, mesmo pequeno, e humildade para recomeçar sem vergonha. Livra-me de achar que é tarde demais. Agradeço-te porque o teu convite continua de pé e porque ainda há lugar. Amém.

Continue sua jornada

Leia Lucas, capítulo catorze, versículos quinze a vinte e quatro, na íntegra. Depois, leia Provérbios, capítulo vinte, versículos três a cinco, e Romanos, capítulo doze, versículos nove a treze, para ver como a Bíblia fala de zelo e de ação.

Sobre as citações bíblicas: as passagens citadas foram apresentadas em paráfrase editorial, conferida quanto ao sentido com edições de Almeida (Lucas 14, Provérbios 20, Romanos 12). O relato bíblico foi recontado em palavras próprias; o que o texto imagina ou interpreta está sinalizado ao longo da reflexão.

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