
2 Reis 6:8–17
A paz que o mundo não dá
Segundo Reis, capítulo seis, versículos oito a dezessete, mostra um servo que acorda cercado e um profeta que pede a Deus que lhe abra os olhos
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Narração completa
Há manhãs em que o primeiro olhar já encontra o problema. Antes do café, antes de qualquer oração, ele está ali: a dívida, a doença, o conflito, a incerteza. Parece cercar a casa inteira. E, quando é tudo o que conseguimos ver, a paz parece impossível. Se você já acordou assim, a Bíblia tem uma cena para você.
A Palavra de Deus
Segundo Reis, capítulo seis, versículo dezesseis, em paráfrase editorial:
Não tenha medo, pois são mais os que estão conosco do que os que estão com eles.
2 Reis 6:16 · paráfrase editorial
Eliseu não diz que o problema é pequeno. Ele diz que existe uma realidade maior do que aquela que o servo conseguia ver.
O exército ao redor da cidade
O relato está no segundo livro dos Reis. Israel estava em guerra com o rei da Síria. Cada vez que esse rei armava um plano, o profeta Eliseu avisava o rei de Israel, e o plano falhava. O rei da Síria ficou inquieto, achou que havia um traidor entre os seus e, ao saber que era Eliseu quem revelava tudo, mandou descobrir onde ele estava.
Descobriram: na cidade de Dotã. Então o rei enviou, durante a noite, cavalos, carros e um grande exército, que cercaram a cidade.
Na manhã seguinte, o servo de Eliseu acordou cedo e saiu. O que viu foi um exército com cavalos e carros em volta da cidade. O texto não descreve o que ele sentiu, mas as suas palavras dizem muito. Ele voltou e perguntou a Eliseu: ai, meu senhor, o que vamos fazer?
Eliseu respondeu com calma. Disse que não tivesse medo, porque eram mais os que estavam com eles do que os que estavam com os inimigos. Repare que ele não nega o exército. O exército estava ali. Ele apenas afirma que há mais do que se vê.
Em seguida, Eliseu orou, mas não pediu que o exército desaparecesse. Pediu que Deus abrisse os olhos do servo, para que ele visse. E Deus abriu. O servo olhou de novo e viu o monte cheio de cavalos e carros de fogo em volta de Eliseu.
A realidade já estava ali. O que mudou foi o que o servo passou a enxergar.
Os versículos seguintes contam como o cerco terminou. Esta reflexão fica na cena em que os olhos do servo são abertos. A história trata da proteção de Deus a Eliseu e a Israel num tempo de guerra. Relacioná-la à paz diante dos nossos problemas é uma aplicação para a nossa vida, não o assunto original do relato.
Compreendendo o ensinamento
A paz que o relato mostra não nasce de o problema ser pequeno. Eliseu está cercado, e mesmo assim está calmo. Nasce de saber que não está sozinho diante dele.
Em João, capítulo catorze, versículo vinte e sete, Jesus diz aos discípulos, em paráfrase editorial, que deixa a eles a sua paz, que não a dá como o mundo dá, e que o coração deles não precisa se perturbar nem se atemorizar. A paz do mundo costuma depender de as circunstâncias melhorarem. A paz que Jesus oferece pode existir no meio delas.
Em Isaías, capítulo vinte e seis, versículo três, o profeta escreve, em paráfrase editorial, que Deus guarda em paz quem mantém a mente firme nele, porque confia nele. Repare no verbo: manter a mente firme. A paz é um dom, mas também algo que cultivamos, voltando a mente, de novo e de novo, para quem cuida de nós.
Esses textos não prometem que os problemas desaparecem, nem que a fé nos poupa de situações difíceis. Mostram que existe um cuidado maior do que o que enxergamos, e que podemos pedir a Deus que nos ajude a vê-lo.
Se a inquietação é intensa ou constante, procure um médico ou psicólogo. Isso não diminui a fé. É um dos modos como Deus cuida de nós.
Quando a paz parece longe
Comece olhando o problema de frente, sem negá-lo. Escreva o que está ao redor da sua cidade, com todas as letras. Reconhecer o tamanho do que você enfrenta é diferente de se deixar dominar por ele.
Depois, faça a oração de Eliseu por você mesmo: Senhor, abre os meus olhos. Peça que Deus lhe mostre o que você não está conseguindo ver, como uma pessoa que está ao seu lado, um passo possível ou uma lembrança de como ele já cuidou de você. E, ao acordar, antes de pegar o celular, escolha uma frase para repetir, como a de Isaías, para firmar a mente. Você também pode orar pelos olhos de alguém que está assustado ao seu lado.
Perguntas para refletir
O que eu vejo ao redor de mim quando acordo? Que parte do problema é real e que parte a minha mente aumentou? Quem ou o que Deus já colocou ao meu lado e eu não estou enxergando? Por quem posso pedir a Deus que abra os olhos?
Um passo para hoje
Escolha uma frase curta para firmar a mente, por exemplo: Deus cuida de mim e está comigo. Repita-a ao acordar e antes de dormir. Depois, escreva em uma folha duas coisas: o que está ao seu redor e uma coisa que Deus já fez por você no passado. Leia as duas, uma ao lado da outra, em oração.
Momento de oração
Faça uma pausa diante de Deus. Perceba o que está ao seu redor neste momento, o que o assusta e o que o cansa. Respire fundo e solte o ar devagar. Imagine que, assim como o servo de Eliseu, você pode ver mais do que o problema. Fique alguns instantes em silêncio.
Você pode falar com Deus com suas próprias palavras. Se desejar, use esta oração como sugestão:
Senhor, o que está diante de mim parece grande demais. Tu conheces cada detalhe e não me pedes que finja que não existe. Peço-te, como Eliseu pediu: abre os meus olhos.
Mostra-me o que eu não consigo ver. Lembra-me de que estás comigo e de que o teu cuidado é maior do que o meu medo. Dá-me a paz que o mundo não dá e ajuda-me a manter a mente firme em ti, hoje e em cada manhã. Agradeço-te porque estás perto. Amém.
Continue sua jornada
Leia Segundo Reis, capítulo seis, versículos oito a dezessete, na íntegra. Depois, leia João, capítulo catorze, versículos vinte e cinco a vinte e sete, e Isaías, capítulo vinte e seis, versículos um a quatro, para ver como a Bíblia descreve a paz que vem de Deus.