
Mateus 26:36–44
A ansiedade que ninguém vê
Mateus, capítulo vinte e seis, versículos trinta e seis a quarenta e quatro, mostra Jesus dizendo, no Getsêmani, o que sentia e pedindo a companhia de amigos
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Narração completa
Algumas pessoas parecem estar bem. Trabalham, sorriem, respondem mensagens, cuidam dos outros. Mas por dentro carregam uma inquietação que ninguém percebe. Muitas vezes, quem sofre assim aprende a esconder, para não preocupar e para não incomodar. E o peso, que já era grande, fica ainda mais solitário.
A Palavra de Deus
Mateus, capítulo vinte e seis, versículo trinta e oito, em paráfrase editorial:
A minha alma está cheia de tristeza até a morte. Fiquem aqui e vigiem comigo.
Mateus 26:38 · paráfrase editorial
Jesus não esconde o que sente. Diz em voz alta que está profundamente triste e faz um pedido simples: não quer ficar sozinho.
A noite no Getsêmani
O relato está no evangelho de Mateus. Era a noite antes da crucificação de Jesus. Ele foi com os discípulos a um lugar chamado Getsêmani. Ali, pediu que a maior parte do grupo se sentasse enquanto ele ia orar um pouco mais adiante.
Levou consigo apenas três: Pedro e os dois filhos de Zebedeu, Tiago e João. Mateus conta que, ali, Jesus começou a ficar triste e angustiado. E foi aos mais próximos que ele disse o que sentia: que a sua alma estava cheia de tristeza, e que eles ficassem ali, vigiando com ele.
Depois, afastou-se um pouco, prostrou-se com o rosto no chão e orou. Pediu ao Pai que, se fosse possível, aquele cálice passasse dele. E acrescentou: que não fosse como ele queria, mas como o Pai queria. É uma oração honesta. Ela diz o que dói e, ao mesmo tempo, entrega.
Quando voltou, encontrou os três dormindo. Perguntou a Pedro se nem uma hora eles haviam conseguido vigiar com ele. Pediu que vigiassem e orassem, e reconheceu que o espírito está pronto, mas a carne é fraca. Não há ali um discurso duro. Há alguém que conhece o cansaço dos amigos.
Afastou-se pela segunda vez e orou novamente. Voltou e os encontrou dormindo outra vez, com os olhos pesados. Deixou-os e foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras.
Repare no que Jesus faz. Não finge que está bem. Procura companhia. Leva sua dor a Deus com sinceridade, mais de uma vez. E, mesmo quando os amigos falham em estar acordados, ele continua orando.
A história trata das horas que antecedem a cruz e da obediência de Jesus ao Pai. Relacioná-la à ansiedade que ninguém vê é uma aplicação para a nossa vida, não o assunto original do relato.
Compreendendo o ensinamento
Muita gente acredita que falar do que sente é fraqueza. O relato de Mateus mostra o contrário. Jesus nomeia a tristeza, pede presença e ora com franqueza. A fé que a Bíblia mostra não exige uma face de pedra.
Em Provérbios, capítulo doze, versículo vinte e cinco, o sábio diz, em paráfrase editorial, que a preocupação no coração abate a pessoa, mas uma boa palavra a alegra. Às vezes, o que ajuda não é uma solução. É alguém que escuta e diz uma palavra boa na hora certa.
E em Gálatas, capítulo seis, versículo dois, Paulo escreve, em paráfrase editorial, que devemos levar os fardos uns dos outros. Isso vale nos dois sentidos: podemos pedir ajuda, e podemos ser a companhia que vigia ao lado de alguém.
Os discípulos dormiram, e isso lembra que quem está ao nosso lado também tem limites. Nem toda pessoa saberá estar presente do jeito que precisamos. Por isso vale procurar quem escuta, e continuar levando a Deus o que sentimos.
Esses textos não prometem que falar resolve tudo. Mostram que o peso carregado em silêncio costuma pesar mais. Se a ansiedade é intensa ou constante, procure um médico ou psicólogo. E se aparecerem pensamentos de desistir da vida, procure ajuda agora: o Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente, a qualquer hora, pelo telefone cento e oitenta e oito.
Quando ninguém percebe
Comece nomeando o que você sente em uma frase simples e verdadeira, como: estou com medo, estou no limite, estou sem forças. Dizer em voz alta já diminui o tamanho do peso.
Depois, escolha uma pessoa de confiança e faça um pedido concreto, em vez de esperar que ela adivinhe. Pode ser: posso conversar com você dez minutos? Ou: fica comigo um pouco? E, se você percebe alguém que parece estar bem demais, pergunte com calma como a pessoa realmente está, e fique para ouvir a resposta.
Perguntas para refletir
O que estou escondendo de quase todo mundo? Quem é a pessoa mais segura para eu contar o que sinto? Que pedido concreto posso fazer a ela? Quem ao meu redor talvez precise que eu pergunte como está?
Um passo para hoje
Escolha uma pessoa. Se você é quem está sofrendo, mande uma mensagem simples: preciso conversar, você tem um tempo esta semana? Se você percebe alguém sofrendo, ligue ou escreva e pergunte como a pessoa está de verdade. Depois, reserve alguns minutos para contar a Deus, com sinceridade, o que está sentindo.
Momento de oração
Faça uma pausa diante de Deus. Perceba o que você tem carregado em silêncio. Respire fundo e solte o ar devagar. Imagine Jesus ao seu lado, como esteve no Getsêmani, sabendo o que é sentir tristeza e angústia. Você não precisa fingir diante dele. Fique alguns instantes em silêncio.
Você pode falar com Deus com suas próprias palavras. Se desejar, use esta oração como sugestão:
Senhor, há coisas que carrego sem que ninguém perceba. Cansei de fingir que está tudo bem. Tu conheces a minha inquietação e vês o que eu não consigo dizer. Hoje eu a trago a ti como ela é.
Dá-me coragem para falar com quem pode me ouvir e humildade para pedir ajuda. Põe ao meu lado pessoas que saibam ficar. E ensina-me a ser companhia para quem também está sofrendo em silêncio. Entrego a ti o que me pesa e confio no teu cuidado, mesmo quando não entendo. Amém.
Continue sua jornada
Leia Mateus, capítulo vinte e seis, versículos trinta e seis a quarenta e quatro, na íntegra. Depois, leia Provérbios, capítulo doze, versículo vinte e cinco, e Gálatas, capítulo seis, versículos um a dois, para ver como a Bíblia valoriza a palavra boa e o apoio mútuo.
Sobre as citações bíblicas: Mateus 26:38, Provérbios 12:25 e Gálatas 6:2 foram apresentados em paráfrase editorial, conferida quanto ao sentido com a Almeida 1911 (Mateus 26, Provérbios 12, Gálatas 6). A noite no Getsêmani (Mateus 26:36–44) foi recontada em palavras próprias; Mateus fala de tristeza e angústia, e a aproximação com a ansiedade é uma aplicação, sinalizada no texto.